Controle sanitário em bovinos: por que e como fazer?

9 de abril de 2020 4 mins. de leitura
Para proteger todos os animais sem gastar mais que o necessário, o ideal é criar um calendário sanitário

Todo produtor rural precisa fazer um controle sanitário adequado de seu rebanho. As doenças podem afetar o bem-estar animal e a produtividade, além de haver o risco de multas se não for realizada contenção correta de certas doenças, como a febre aftosa. Também é necessário refletir que, quando não há controle sanitário de excelência, colocam-se em risco todos os rebanhos não só da própria fazenda, mas da região.

Se for descoberto algum foco de um problema sério, todos os produtores próximos sofrerão restrições de comercialização. Dessa maneira, uma possível economia com vacinas pode se tornar um prejuízo com a perda da produção.

Para que seja efetivo, o controle sanitário deve ser feito da forma correta. O método mais recomendado pelos especialistas é a adoção de um calendário sanitário, que especifica quais medicamentos e vacinas devem ser aplicados ao longo do ano.

Assim, os produtores não precisam agir apenas de forma curativa — quando os animais já estão doentes —, mas de modo preventivo. Isso contribui para o bem-estar do rebanho, para seu desenvolvimento e para a economia da fazenda, pois evita que os medicamentos sejam aplicados sem necessidade. Além disso, com um cronograma, é possível planejar de forma muito mais eficiente a compra dos medicamentos, sabendo exatamente quanto será preciso investir ao longo do ano.

Como desenvolver um calendário sanitário

A aplicação das principais vacinas segue um calendário predefinido pelas autoridades responsáveis. Outras medicações, contudo, devem ser administradas conforme as necessidades de cada rebanho. Um bom veterinário deve analisar as instalações e as técnicas de manejo empregadas na propriedade, o clima da região, as espécies do rebanho, entre outros fatores, para identificar quais são os principais parasitas que podem afetar os animais e em quais épocas é mais eficiente lutar contra eles, pois certas doenças são sazonais.

Uma vez que o calendário tenha sido criado, o produtor pode se planejar para adquirir e armazenar os medicamentos para todo o período.

Controle sanitário adequado aumenta produtividade
(Fonte: Freepik)

As doenças mais comuns e como preveni-las

O cuidado sanitário nas fazendas começa desde que o bezerro nasce e vai além da administração de vacinas e medicamentos. Desde o nascimento, o filhote deve ficar próximo da mãe e mamar o colostro, uma espécie de leite fortificado, que fornece os principais anticorpos de que o bezerro precisa e que funciona como uma “vacina natural”. Também é necessário fazer o corte e a cura correta do cordão umbilical, com álcool iodado, para que a região não sirva como porta de entrada para doenças. Nos primeiros dois anos do animal, diversas vacinas devem ser aplicadas, para que ele cresça corretamente.

Outros cuidados precisam ser tomados durante toda a vida das criações, periodicamente, para prevenir doenças como raiva, clostridioses, carbúnculo sintomático e leptospirose. Nas fêmeas, é necessário ter sempre atenção com a ordenha, para que as glândulas mamárias não sejam afetadas pela mamite.

Cuidados na ordenha ajudam a evitar a mamite
(Fonte: Freepik)

Além das vacinas, é necessário aplicar vermífugo no rebanho, porque muitas larvas de vermes estão presentes no pasto e são consumidas pelos animais. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) recomenda que o produto seja dado na época de clima seco, quando as larvas se desenvolvem menos em meio ao capim e o gado provavelmente já está com algum verme, o que otimiza a aplicação.

Outro problema comum nas criações é o carrapato. Embora seja impossível eliminá-lo completamente da propriedade, é necessário prevenir que eles afetem os animais severamente, pois causam muito sofrimento e podem prejudicar seu desenvolvimento.

Para prevenir que o rebanho seja atingido por esse parasita, são dados banhos de carrapaticida, que precisam ser completos, molhando todo o animal, inclusive nas dobras de pele. Também é necessário observar se ocorrem chuvas logo após a lavagem, para que não retirem o remédio da pele do animal. Naturalmente, as aplicações de carrapaticida podem ser previstas no calendário sanitário da propriedade.

Com informação e bom planejamento, é possível realizar um controle sanitário eficiente, mantendo os animais saudáveis o ano inteiro com um custo relativamente baixo.

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Fonte: Embrapa.