Raiva herbívora é uma das zoonoses mais perigosas para os rebanhos

Conhecer a doença e notificar as autoridades ainda é a melhor forma de prevenção

Raiva herbívora é uma das zoonoses mais perigosas para os rebanhos
12/04/2020 • 2 min. de leitura

A raiva dos herbívoros causa grande prejuízo social e econômico ao agronegócio brasileiro. É considerada uma das zoonoses de maior letalidade em Saúde Pública, provocando, principalmente, a morte de bovinos.

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda, causada pelo vírus do gênero Lyssavirus. Em cães e gatos, a situação foi controlada em virtude da vacinação massiva. Mas sua presença em ambientes silvestres ainda é motivo de preocupação. Seja por mudanças climáticas ou mudanças decorrentes de alterações em macrorregiões, a raiva herbívora é um fator de risco e prejuízo. Os gastos com a perda de animais é somado aos gastos indiretos com a vacinação e os tratamentos pós-exposição (sorovacinação) de pessoas que mantiveram contato com animais suspeitos.

Programa de contenção

Desde a década de 1960, o Governo Federal tem um plano voltado a esse cenário; atualmente é chamado de Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH), de responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Esse documento determina que o controle da incidência da raiva seja feito por meio da vacinação de espécies suscetíveis e do monitoramento da população de seu principal transmissor, o Desmodus rotundus ou morcego-vampiro — o acompanhamento de hospedeiro, deslocamento e incidência garante o controle e o combate à raiva.

A notificação de casos suspeitos é o caminho para a eficácia no tratamento e, acima de tudo, a prevenção. Uma vez detectada a contaminação, cabe ao proprietário do rebanho ou do animal avisar aos Serviços Veterinários Oficiais dos Estados (SVEs) ou às Secretarias Municipais de Saúde de suas cidades. As providências a serem tomadas seguem protocolos técnicos elaborados pelo PNCRH. Em meio a esse cenário, a não notificação é o maior inimigo dos programas de combate, pois coloca em risco a saúde dos rebanhos e expõe seres humanos à doença. A responsabilidade é conjunta.

Impactos da doença

O reconhecimento e o tratamento da doença e suas variáveis são importantes, uma vez que a infecção leva ao sacrifício dos herbívoros, afetando assim a oferta de alimentos, o crescimento dos rebanhos, as modificações em biomas e, em casos mais graves, gerando contaminação em humanos. O trabalho em conjunto entre criadores e o Governo Federal garante notificações rápidas e o mapeamento preciso dos locais de risco.

A série histórica dos casos notificados de raiva dos herbívoro está disponível no site do Mapa e pode ser consultada como fonte de informação para produtores que necessitam de planos específicos de combate à raiva e preservação de seus animais. A tecnologia é hoje uma importante aliada, além dos estudos científicos de comportamento do morcego transmissor.

O assunto é tão sério que, para lembrar anualmente a importância do controle e prevenção da raiva, a Aliança Global para o Controle da Raiva (ARC), com o apoio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), determinou o dia 28 de setembro como o Dia Mundial de Combate à Raiva. Não à toa: por ano, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 40 mil pessoas morrem em decorrência do vírus.

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Fonte: Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Café Point