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Pesquisas apontam perigos de antibiótico na agropecuária

Uso excessivo de medicamentos traz riscos à saúde humana

Pesquisas apontam perigos de antibiótico na agropecuária
03/04/2020 • 3 min. de leitura

Estudos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) concluíram que há perigos evidentes no excesso de antibióticos na agropecuária. A ameaça à saúde está relacionada ao crescimento da resistência dos microrganismos no mundo todo, que ocorre tanto em animais quanto em pessoas. O risco apontado nas pesquisas é que o consumo de carne e derivados pode fazer com que as bactérias resistentes dos animais sejam transmitidas para o ser humano.

O uso de medicamentos para controle de doenças é permitido e encorajado, mas, de acordo com a FAO, é cada vez mais comum agricultores aplicarem essas substâncias desnecessariamente (sem que existam quaisquer sinais de adoecimento presentes), inclusive para estimular o crescimento de animais e plantas. Essa prática leva à criação de uma resistência por parte dos microrganismos, como fungos, parasitas, vírus e bactérias. Aos poucos, tais remédios perdem a eficácia no combate às doenças e podem se tornar inúteis por completo.

O risco presente na segurança da cadeia alimentar é observado em todo o planeta, com destaque para países cujas legislações a respeito do uso de antibiótico na agropecuária são fracas ou inadequadas. Considerando os efeitos da globalização, importação e exportação de alimentos, esses perigos se espalham com relativa facilidade. Atualmente, países europeus são os que trazem mais esforços nessa luta, sendo bons exemplos a serem seguidos nos demais continentes.

Retrocesso na saúde animal e humana

(Fonte: Shutterstock) 

Já em 2016, a vice-diretora da FAO, Helena Semedo, afirmou em conferência que essa ameaça vai além da evolução natural dos microrganismos. A aplicação inapropriada dos fármacos, principalmente nos sistemas de produção intensiva — bovinos, suínos, frangos etc. —, pode colocar a perder um século de evolução no combate aos agentes infecciosos.

As descobertas do Review on Antimicrobial Resistance mostram que essa não é uma declaração exagerada. Cerca de 700 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente se houvesse maior controle e tratamento das infecções bacterianas, pois as pessoas falecem por questões relacionadas à resistência aos medicamentos, mesmo com os cuidados médicos e a exigência de receita para antibióticos em diversos países. No caso dos animais, muitas vezes não há essa mesma preocupação de acompanhamento veterinário adequado.

Se essa progressão não for contida, poderemos chegar aos números disponibilizados em 2016 pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças: 50 milhões de mortes por ano devido à resistência dos microrganismos. Essa é uma estimativa ampla e difícil de ser acompanhada, mas deixa claro o tamanho do problema com o qual o mundo inteiro está lidando.

Soluções para o uso de antibiótico na agropecuária

(Fonte: Shutterstock)



Interromper completamente a utilização de medicamentos não é uma possibilidade, visto que os animais ainda precisam de tratamento para ser mantida a segurança do consumos de alimentos. O que pode ser feito é estimular o cuidado extra dos responsáveis pelas cadeias de produção.

A FAO recomenda, para começar, a prevenção de doenças por meio de estudos epidemiológicos e análises constantes da saúde dos animais, o que garante ações mais rápidas e impede a propagação de doenças, poupando o uso de antibióticos e ainda reduzindo custos.

Além disso, campanhas e legislações de cada país fortalecem a luta contra o uso indevido dos remédios e a falta de cuidado apropriado para os bichos. Manter a alimentação correta (sem adicionais para crescimento), a higiene e os ambientes em condições adequadas evita doenças e melhora a qualidade de vida dos animais. Enfim, resumindo essa situação: para prezar pela saúde humana, é imprescindível garantir também a saúde animal.

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Fonte: FAO, NCBI