Safras 2021/2022: produtores antecipam compras de insumos

27 de outubro de 2020 3 mins. de leitura
Alta de preço dos alimentos no mercado e perspectivas de recordes de produção nas próximas safras têm incentivado a antecipação da compra de insumos

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A alta do preço das commodities agrícolas está fazendo com que os produtores brasileiros antecipem as compras de insumos para as safras de 2021 e 2022. O movimento incomum para o setor foi registrado pelo Projeto Campo Futuro CNA/Senar em parceria como o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP).

O cenário pode ser explicado pela boa relação de troca de grãos por fertilizantes agrícolas. Ainda que o preço dos adubos esteja maior em termos reais durante a pandemia da covid-19, uma forte alta do preço dos grãos tem mantido uma relação vantajosa para os produtores anteciparem as compras de fertilizantes.

Ainda em julho, importantes praças do Centro-Oeste já tinham adquirido um grande volume dos insumos para a 2a safra 2020/21 e negociado uma parcela de fertilizantes para a temporada 2021/22. O plantio da safra 2020/21 de soja começou em setembro e deve contar com recorde de produtividade.

Cenário favorável do mercado

Alguns produtores já negociaram insumos para a safra de 2022. (Fonte: Shutterstock)

A compra antecipada de fertilizantes tem movimentado o mercado agrícola no País, principalmente da soja e do milho. Isso porque as boas cotações dos grãos e os preços dos fertilizantes em patamares aceitáveis formam um cenário propício para aquisição de insumos para os cultivos das safras subsequentes.

A relação de troca entre grãos e insumos está se mostrando uma das mais favoráveis nos últimos cinco anos. A quantidade mínima de que o produtor precisa para pagar os custos operacionais de produção no segundo trimestre de 2020 e também no mês de julho/20 foi a menor da série histórica do Projeto Campo Futuro, calculada a partir de janeiro de 2016.

As cotações dos insumos estavam em alta logo nos primeiros meses de 2020. Após abril, as cotações voltaram a mostrar leve recuo, em decorrência de incertezas ocasionadas pelo avanço da covid-19. Apesar do recuo, as cotações dos insumos se mantiveram em patamares elevados, mas não impediram as compras antecipadas dos produtores.

Safra recorde e alta de preços

Safra recorde e alta de preços internacionais de commodities incentivam produtores a comprarem insumos antes da safra. (Fonte: Shutterstock)

O encerramento da safra de grãos 2019/2020 consolida o registro histórico de 257,8 milhões de toneladas, puxados pelas lavouras de soja, milho e algodão, de acordo com a última atualização divulgada pela Conab. O volume é 4,5% maior que a safra anterior.

A soja deve registrar um novo recorde com a produção estimada em 124,8 milhões de toneladas. O milho deve alcançar situação semelhante, com mais de 102 milhões de toneladas colhidas. O algodão em pluma também deve alcançar uma marca recorde. O produto deve alcançar 2,93 milhões de toneladas.

Apesar disso, os preços das commodities continuam subindo, com um crescimento de 5,6% no período de junho a agosto de 2020, de acordo com índice calculado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

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Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Suíno Cultura Industrial, Revista Globo Rural, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).