Qual é o impacto da vitória de Biden no agronegócio brasileiro?

10 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Candidato democrata venceu as eleições dos Estados Unidos com discurso sobre a questão ambiental, incluindo as queimadas na Amazônia

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Com a eleição do Joe Biden para a presidência dos Estados Unidos, a política norte-americana deve dar uma guinada em várias questões que podem impactar diretamente o agronegócio brasileiro. Entre os principais assuntos estão uma preocupação ambiental mais acentuada e uma relação menos conflituosa com os chineses.

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EUA e Brasil são grandes produtores mundiais de alimentos e competem pelo gigante mercado chinês. Nos últimos anos, com uma relação mais beligerante adotada pelo governo de Donald Trump, o agronegócio brasileiro expandiu a participação nas compras da China, a ponto de três quartos da soja exportada do Brasil serem embarcados para o gigante asiático.

Relações dos EUA com a China devem ser menos conflituosas na nova gestão. (Fonte: Shutterstock)
Relações dos EUA com a China devem ser menos conflituosas na nova gestão. (Fonte: Shutterstock)

Agora, com a probabilidade de um discurso mais ameno de Biden com relação aos chineses, há um consenso entre empresários, produtores agropecuários, políticos do setor e analistas de que o governo de Jair Bolsonaro deve adotar uma atitude moderada e um pragmatismo diplomático com a China, a fim de fortalecer a relação comercial para que o Brasil continue vendendo grandes montantes para o país asiático.

Preocupação com a sustentabilidade

A preocupação com a sustentabilidade ambiental deve perpassar todas as ações do novo governo norte-americano. Biden já prometeu reassumir compromissos que estavam sendo abandonados ou negligenciados pela gestão de Trump, como o Acordo de Paris e outras questões ligadas às mudanças climáticas globais, que podem ter impacto direto na economia brasileira.

Durante as eleições norte-americanas, as queimadas na Amazônia chamaram atenção global e chegaram a entrar no debate presidencial dos EUA. O democrata prometeu unir o mundo para pressionar o governo brasileiro a proteger a Floresta Amazônica. Qualquer acordo comercial, inclusive, estaria condicionado à questão ambiental.

Biden chegou a prometer a formação de um fundo com US$ 20 bilhões destinados para a preservação do bioma amazônico. Caso a devastação da floresta não tenha efeito após a ajuda, ele afirmou que os EUA poderiam aplicar sanções econômicas ao Brasil. Bolsonaro classificou a proposta como “lamentável e desastrosa”.

Oportunidades para o agronegócio brasileiro

Biden está virtualmente eleito como próximo presidente dos EUA, mas ainda depende de confirmação do colégio eleitoral em dezembro. (Fonte: Shutterstock)
Biden está virtualmente eleito como próximo presidente dos EUA, mas ainda depende de confirmação do colégio eleitoral em dezembro. (Fonte: Shutterstock)

A mudança de postura de Washington pode se tornar uma grande oportunidade para a agropecuária brasileira. As questões comerciais devem passar a ser tratadas de forma mais pragmática e menos ideológica do que na gestão de Trump, criando maior segurança para os negócios em todo o mundo.

Com uma direção clara para a valorização da economia verde, o agronegócio brasileiro pode se beneficiar caso o governo federal leve a sério a questão ambiental. O País tem um potencial de sequestro de carbono muito superior ao dos EUA, mas isso precisa estar evidente de forma inquestionável nas ações realizadas pelo Brasil.

Além disso, o alinhamento automático do Governo Bolsonaro aos republicanos fez que os produtores norte-americanos fossem privilegiados em diversos momentos sem a devida reclamação do governo brasileiro. Com a nova gestão, o Itamaraty poderá adotar uma postura mais independente na hora de defender os interesses nacionais no mercado mundial.

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Fonte: Estadão, Revista Globo Rural.