Dia do Boi: como o Brasil se tornou o maior rebanho bovino do mundo

24 de abril de 2020 3 mins. de leitura
Com 222 milhões de cabeças de gado, pecuária brasileira também é a maior fornecedora de carne bovina do mundo

No dia 24 de abril é celebrado o Dia do Boi, uma data para se lembrar de um dos principais pilares do agronegócio e da economia brasileira. O Brasil tem o maior rebanho bovino do mundo, com 222 milhões de animais, segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Em 2019, o Brasil exportou 1,84 milhão de toneladas de carne bovina, obteve receita de US$ 7,59 bilhões e se consolidou como o maior exportador mundial do produto, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

De tração animal a motor da economia

(Fonte:Pexels)

Os primeiros bois foram trazidos às terras brasileiras ainda no período colonial para servir como tração nos engenhos de açúcar. O aumento do rebanho começou a gerar problemas nas lavouras de cana-de-açúcar, e o governo português proibiu a criação bovina na costa brasileira.

Com isso, as fazendas de gado começaram a ser instaladas no interior do país, ajudando a desbravar os rios São Francisco, Tocantins e Araguaia, além de terras do semiárido brasileiro — desde Minas Gerais até o Maranhão. Relatos históricos apontam que, já no século 17, o rebanho nacional chegava a 650 mil cabeças.

Com a exploração do ouro no século 18, o gado passou a ocupar certa importância em Minas Gerais, que abastecia os mercados de São Paulo e Rio de Janeiro com os produtos da pecuária bovina. Na mesma época, a cultura pecuarista foi iniciada nos pampas sulistas, que também lucravam com charque, exportação do couro e venda de animais de transporte.

Na década de 1970, o governo militar resolveu ocupar a Amazônia, o que possibilitou a expansão da criação bovina para o Norte e Centro-Oeste, pois a pecuária era o meio mais barato e rápido de ocupação de terras não desbravadas.

Em 1975, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rebanho bovino brasileiro tinha 102,5 milhões animais. Em 2011, esse número já tinha dobrado para 204 milhões de cabeças, com relevância na economia brasileira, apesar das áreas de pastagens brasileiras terem diminuído 8% em 36 anos.

O futuro do boi

(Fonte: Pexels)

Por quase cinco séculos, a pecuária brasileira se desenvolveu com a expansão da fronteira agrícola. No entanto, a redução de áreas disponíveis e a preocupação ambiental têm feito a criação bovina procurar novos caminhos para continuar a sua expansão, como os processos de intensificação.

Tanto o melhoramento genético quanto as técnicas de confinamento melhoraram a qualidade da produção e aumentaram a produtividade do setor. Outras ferramentas podem mostrar um caminho promissor para a continuidade da expansão da atividade, como a pecuária de precisão.

Nos próximos anos, a preocupação com o meio ambiente será cada vez mais acentuada no cenário mundial. Dessa forma, a produção pecuária terá de se adaptar para continuar produzindo e vendendo para todo o planeta.

A adoção de sistemas ecológicos, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), pode ser essencial para proporcionar um futuro à criação bovina com garantia de rentabilidade e sustentabilidade no setor.

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Fonte: Abracomex, UFMG, CPT, Summit Agro Estadão

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