Como o café se consolidou no Brasil?

29 de abril de 2021 4 mins. de leitura
Café chegou de forma clandestina no Brasil, mas se tornou um dos principais produtos agrícolas do País

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O café chegou ao Brasil pelas mãos do sargento-mor Francisco de Mello Palheta, que contrabandeou uma muda de Arábica da Guiana Francesa, a pedido do governador do Maranhão e do Grão-Pará em 1727. A planta floresceu facilmente em Belém, mas não seria em terras amazônicas o seu maior desenvolvimento.

Nos anos seguintes, o cafeeiro foi levado para o Maranhão e para o Rio de Janeiro, onde o cultivo era realizado na chácara do Convento dos Frades Barbadinos. Por volta de 1820, a planta alcançou a área da Serra do Mar, no Vale do Paraíba, em São Paulo. De lá, foi difundido para Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.

A bebida, consumida desde a antiguidade na Etiópia, caiu no gosto da população da Europa e dos Estados Unidos, o que favoreceu a expansão das lavouras brasileiras – cultivadas com mão de obra escrava – ao ponto de tornar o grão o principal produto de exportação do Brasil Império, em 1837. Atualmente, o País é o maior exportador e o segundo maior consumidor de café do mundo.

O ouro verde do Brasil

Durante décadas, o café foi o grande impulsionador da economia brasileira. (Fonte: Shutterstock/Jair Ferreira Belafacce/Reprodução)
Durante décadas, o café foi o grande impulsionador da economia brasileira. (Fonte: Shutterstock/Jair Ferreira Belafacce/Reprodução)

O café moldou a história econômica e social do Brasil, em especial durante seu ciclo de ouro, que começou no início do século 19 e perdurou até 1930. Os lucros vindos da lavoura, principalmente no Estado de São Paulo, permitiram o surgimento das estradas de ferro e o avanço da urbanização. Além disso, o grão ajudou a deslocar o centro de poder político do Nordeste para o Sudeste.

Com a proibição do tráfico de escravos a partir de 1850 e a abolição da escravatura em 1888, a necessidade de mão de obra fez o governo brasileiro incentivar a imigração de europeus para trabalhar nas lavouras. A chegada de trabalhadores assalariados deu início, então, à formação de mercado interno e à industrialização no País.

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O produto começou a entrar em declínio em 1891, com uma alta da produção brasileira ao mesmo tempo em que o consumo mundial caía. Os principais Estados produtores, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, fizeram um acordo que ficou conhecido como Convênio de Taubaté, que determinava que o governo compraria o excedente do grão para manter a cotação mundial. A medida teve um efeito positivo até 1929, quando a Bolsa de Nova York entrou em colapso, provocando uma crise econômica internacional.

Evolução do setor de café

Instituições de pesquisa foram fundamentais para o desenvolvimento da cafeicultura brasileira. (Fonte: Shutterstock/Tonhom1009/Reprodução)
Instituições de pesquisa foram fundamentais para o desenvolvimento da cafeicultura brasileira. (Fonte: Shutterstock/Tonhom1009/Reprodução)

A partir de 1930, com a política econômica do governo Vargas direcionada para a industrialização nacional, muitos cafeicultores abandonaram as lavouras para investir em indústrias. A cafeicultura brasileira passou por um período de retração até que, em 1950, foi criado o Instituto Brasileiro do Café (IBC).

A organização, criada com o objetivo de definir a política para o setor, coordenar e controlar estratégias, desde a produção até a comercialização interna e externa, funcionou até a década de 1990. O IBC ofereceu assistência técnica e econômica à cafeicultura, além de ter sido o gestor do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), instituído em 1986.

Com o fim da IBC, foi criado, em 1996, o Conselho Deliberativo de Política do Café (CDPC), vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No ano seguinte, foi criado o Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, que reúne diversas instituições para fomentar a pesquisa no setor.

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Fonte: Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Café Point.

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