China mantém o veto a importação da carne bovina brasileira

21 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
Com a paralisação das importações, o valor do boi gordo no campo recua, mas a queda não deve ser sentida no varejo

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A China continua com o veto a importação da carne bovina brasileira, e o setor tenta se adaptar à expectativa de uma paralisação das exportações de longo prazo. Os produtores esperavam a derrubada do veto quando as investigações sobre os casos da “doença da vaca louca” fossem concluídas, o que não aconteceu.

O veto foi iniciado em 4 de setembro quando foram descobertos casos atípicos de “doença da vaca louca” em frigoríficos de Minas Gerais. Na oportunidade, o Brasil suspendeu voluntariamente as exportações, seguindo regras do acordo comercial com a China.

Custos dos animais em confinamento são uma preocupação para os produtores. (Fonte: Alf Ribeiro/Shutterstock/Reprodução)
Custos dos animais em confinamento são uma preocupação para os produtores. (Fonte: Alf Ribeiro/Shutterstock/Reprodução)

Após a investigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) concluir que as ocorrências da doença eram do caso atípico, que não é transmissível nem gera perigos para a saúde, esperava-se que a China cessasse o veto. A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) também concluiu investigações próprias e afirmou que as ocorrências não representam risco para a cadeia de produção bovina brasileira, mesmo assim o veto segue a 47 dias.

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Preço do boi no campo

O preço do boi gordo no campo, que havia batido recorde em junho deste ano com a arroba chegando a R$ 322, recuou após a notícia da manutenção do veto. O valor, que estava em R$ 305 no início de setembro, chegou a R$ 262,90 nesta quarta-feira (20), de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP.

Alguns analistas brasileiros sugerem que a manutenção do veto, mesmo quando há condições técnicas para o reinício das importações, pode significar uma estratégia comercial da China para melhorar a precificação e ter maior poder de barganha.

A China é a consumidora de quase metade da carne bovina produzida pelo Brasil, importando anualmente cerca de 2 milhões de toneladas. Esses números se comprovaram durante a suspensão das exportações: a média exportada por dia útil no País caiu pela metade em comparação com o ano anterior e com o mês anterior ao veto.

Do início do ano até julho, o Brasil exportou US$ 2,5 bilhões (R$ 13,6 bilhões) para o país asiático, foram 490 mil toneladas, um aumento de 8,6% em relação ao mesmo período em 2020, os dados são da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Suspensão da produção

O Ministério da Agricultura lançou nota negando a notícia de que teria orientado frigoríficos que exportam para a China a suspender a produção por 60 dias. A pasta explicou que a única recomendação de suspensão foi a de 4 de setembro, em razão da descoberta da doença. Depois disso, um ofício circular foi enviado aos chefes de serviços de Inspeção de Produtos de Origem Animal, autorizando a estocagem de produtos que iriam para a China por até 60 dias.

Preços nos mercados

Preços das carnes nos mercados só devem recuar se o veto for mantido por longo prazo. (Fonte: Bee Bonnet/Shutterstock/Reprodução)
Preços das carnes nos mercados só devem recuar se o veto for mantido por longo prazo. (Fonte: Bee Bonnet/Shutterstock/Reprodução)

Segundo especialistas, a manutenção das carnes em câmaras frias e contêineres devem manter o patamar dos preços. Com isso, não há expectativa de que os preços da carne vermelha no varejo sejam reduzidos em um primeiro momento. Esse movimento só deve ocorrer no caso de longo prazo do veto, que geraria um escoamento da produção para o mercado interno.

Fonte: O Correio News. 

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