Carne de porco deve retomar os preços

6 de setembro de 2021 5 mins. de leitura
O mercado brasileiro de suínos vê o preço do animal vivo subir, mas fatores como demanda e estoque influenciam o valor para o consumidor

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O consumo de carne suína no Brasil cresceu 14% entre 2015 e 2020, com o brasileiro consumindo em média 16,86 quilos da carne por ano. Especialistas apontam como principais motivos para esta evolução o aumento do preço da carne bovina e a melhora na qualidade da informação sobre os benefícios da carne suína. Em 2020, também houve o aumento de 36% na exportação de suínos em relação a 2019, movido principalmente pela demanda chinesa.

Com a pandemia de covid-19, a balança do setor de suínos se desequilibrou e os produtores viram o preço da carne cair cerca de 30% durante os primeiros meses de isolamento.

Especialistas afirmam que o preço diminuiu tanto e tão rápido porque a demanda interna (responsável por 77% do consumo) caiu muito com o fechamento de bares, restaurantes, hotéis e escolas. Com isso os produtores tiveram que ficar por mais tempo com os animais na granja e, com o risco de lotação, a única alternativa foi baixar o preço.

Em 2021 os efeitos da crise continuaram com o aumento histórico dos insumos: a Embraba Suínos e Aves divulgou que o custo da produção de suínos em abril de 2021 foi 44,55% maior do que o mesmo mês em 2020.

Diminuição do consumo e aumento do custo de produção impactam preço da carne de porco. (Fonte: Mark Stebnicki/Unsplash/Reprodução)
Diminuição do consumo e aumento do custo de produção impactam preço da carne de porco. (Fonte: Mark Stebnicki/Unsplash/Reprodução)

Causas do aumento dos preços dos insumos para criação de porco

Cerca de 70% dos custos de produção da carne suína vêm da ração, feita à base de milho e farelo de soja. O aumento desses grãos afetou a cadeia produtiva: o preço da saca de milho de 60 kg praticamente dobrou, saindo da casa dos R$ 50 em maio de 2020 para R$ 100 um ano depois, o preço da soja teve um aumento de cerca de 60%, com o valor da saca indo de R$ 108 para R$ 173 no mesmo período.

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O milho chegou a esse preço depois da produção interna passar por sucessivas crises em 2020 e 2021, sofrendo com a praga da cigarrinha e depois com a seca que atingiu a maioria dos estados produtores. A previsão da safrinha deste ano também foi reduzida de 90 milhões de toneladas para 75 milhões de toneladas. Outro fator que influenciou na alta do preço do grão foi a escassez no mercado internacional. Os Estados Unidos, maior produtor de milho, fechará o ano com uma produção historicamente baixa devido a tempestades nas regiões produtoras. 

A recuperação da produção chinesa de porcos, depois da crise da peste suína africana que dizimou cerca de 60% do estoque chinês nos últimos três anos, também aumentou a demanda mundial pelo milho e soja, outro fator para a elevação dos preços nos mercados internacionais.

A relação entre a quantidade de milho comprada com um quilo do suíno para o produtor brasileiro está em 4,34 kg de milho para cada quilo de suíno. Isto é 3,6% melhor do que julho, mas ainda 43,9% abaixo da proporção de agosto de 2020.

A soja também sofreu com as crises climáticas no Brasil, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informou que o preço chegou ao maior valor em três meses no País. Além disso, com a escalada do preço no mercado internacional e com a desvalorização do real perante o dólar, os produtores dos grãos preferem o mercado externo, o que pressiona os valores praticados internamente. 

Para o farelo de soja, a relação de aquisição é de 3,14 quilos com a venda de um quilo de carne de porco, 5,3% melhor do que no mês anterior, mas ainda 18,3% menor do que em agosto do ano passado.

Preço da carne de porco deve subir para o consumidor. (Fonte: Kenneth Schipper Vera/Unplash/Reprodução)
Preço da carne de porco deve subir para o consumidor. (Fonte: Kenneth Schipper Vera/Unplash/Reprodução)

Mercado interno de carne suína

A carne do porco, para espanto dos especialistas, teve um recuo no preço do atacado em São Paulo (principal mercado consumidor) em agosto. Os motivos apontados para isso estão no receio do varejo em repassar o preço ao consumidor em um cenário de baixa demanda, devido à diminuição do poder de compra dos brasileiros, inflação e desemprego. A estratégia é manter a liquidez e evitar aumento de estoque. Em outros estados há variações conforme a produção local, mas no geral, há uma tendência de estabilidade no preço.

Especialistas afirmam que esse cenário deve mudar, dado que com o custo de produção no nível atual não há alternativa senão o aumento do preço. Para amenizar a situação, frigoríficos e produtores pedem ao governo federal a suspensão de impostos para a importação de grãos estrangeiros e sobre o frete no mercado interno. 

Fonte: Portal do Agronegócio, Successful Farming, Suíno Cultura Industrial, Embrapa, ACSURS.

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