As iniciativas do agronegócio para resolver os problemas de logística

17 de novembro de 2021 4 mins. de leitura
Considerado um dos maiores gargalos do agronegócio brasileiro, o setor logístico para escoamento dos grãos conta com diversas iniciativas que prometem minimizar o problema

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No segundo e último dia de Estadão Summit Agronegócio 2021, o maior e mais relevante evento do setor no Brasil, tivemos mais uma vez discussões em torno da COP-26 e a nossa participação nesse evento. O tema de abertura e do painel sobre logística desta quarta-feira (17) teve como discussão o fato de que o “custo Brasil” começa a pesar cada vez menos para os participantes do agronegócio.

Afinal, diversos projetos, públicos e privados, começam a sair do papel e a redesenhar o mapa logístico do agronegócio brasileiro. Entre as iniciativas que merecem destaque, podemos mencionar o BR do Mar, os investimentos em portos, além de novas ferrovias e rodovias.

Mediado pelo editor Gustavo Porto, do Broadcast Político, o painel abordou como esses avanços na logística – considerados gargalos no escoamento da safra brasileira – têm contribuído para construir a imagem do Brasil como um grande produtor e exportador de alimentos a baixo custo.

Uma rodovia em alto mar

O projeto BR do Mar é uma iniciativa de cabotagem que deve ajudar nos processos logísticos do agronegócio brasileiro. (Fonte: Estadão/Reprodução)
O projeto BR do Mar é uma iniciativa de cabotagem que deve ajudar nos processos logísticos do agronegócio brasileiro. (Fonte: Estadão/Reprodução)

Um dos projetos que tramitam atualmente no Congresso Nacional é o chamado BR do Mar. Essa iniciativa de cabotagem – que é o transporte marítimo entre portos – promete resolver um dos maiores gargalos da logística do agronegócio, que é a dependência da malha rodoviária. Essa é a opinião de Elisangela Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com Lopes, o projeto BR do Mar é o “sonho” do agronegócio brasileiro. Hoje, cerca de 85% dos grãos transportados pelas rodovias precisam viajar em média 1,5 mil quilômetro até chegar aos portos ou aos estados de destino. Com a aprovação dessa pauta no congresso, esse problema poderia ser minimizado com a utilização da extensa costa da qual o País dispõe.

José Vicente Caixeta Filho, professor titular da Esalq/USP e coordenador geral do Esalq-LOG, compartilha da mesma opinião. Ele destaca como a implementação desse projeto ajudaria a reduzir significativamente o chamado “custo Brasil” de nossos produtos, resolvendo o problema de logística grave em nosso país.

Outro ponto levantado de importante discussão é o impacto da BR do Mar para os caminhoneiros. Edeon Vaz Ferreira, diretor-executivo do Movimento Pró-Logística de Mato Grosso, acredita que a implementação do projeto não vai prejudicar, mas sim beneficiar, os trabalhadores que trafegam pelas rodovias. Isso vai acontecer pela substituição dos trajetos longos pelos mais curtos, desde que o problema de velocidade de carga e descarga nos portos também seja solucionado.

Marco Legal das Ferrovias

O Marco Legal das Ferrovias é outro projeto que prevê a correção do gargalo logístico brasileiro. (Fonte: Estadão/Reprodução)
O Marco Legal das Ferrovias é outro projeto que prevê a correção do gargalo logístico brasileiro. (Fonte: Estadão/Reprodução)

Além da BR do Mar, outros projetos se destacam como soluções para eliminar o gargalo de logística do agronegócio brasileiro. O Marco Legal das Ferrovias, por exemplo, promete dar maior relevância para um tipo de transporte pouquíssimo explorado em nosso País: o ferroviário. Ferreira observa, entretanto, que o projeto precisa passar por revisões importantes antes de ser aprovado, especialmente para evitar o monopólio.

Lopes reforça que a perspectiva para a adoção do Marco Legal das Ferrovias é positiva, e os números mostram isso. Os 25 projetos de implementação de ferrovias (mesmo que nem todos sejam eventualmente aprovados) mostram que há interesse por parte do agronegócio de apoiar essa alternativa de transporte e escoamento dos insumos do setor.

Por fim, Caixeta Filho fala dos impactos positivos das ferrovias, com destaque para a eventual redução no frete de transporte de insumos e produtos. Porém, há desafios gigantescos a serem superados antes de falarmos de implementação, especialmente considerando a concorrência com a malha rodoviária que ainda predomina em nosso País.

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Fonte: Estadão Summit Agronegócio 2021.

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