Algodão: safra de 2021/2022 apresenta crescimento, mas fica abaixo de 2019/2020

13 de outubro de 2021 4 mins. de leitura
Safra de 2021/2022 de algodão deve alcançar 2,71 milhões de toneladas, volume abaixo de antes da pandemia, quando foram produzidos quase 3 milhões de toneladas

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A safra de 2020/2021 de algodão foi marcada por forte queda na produção e no consumo, assim como por alta nas exportações, de acordo com a avaliação da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estiagem, a perda da janela de plantio e a preocupação com a pandemia derrubaram o volume de produção para 2,34 milhões de toneladas — em recuo de 22% em relação à temporada anterior.

As expectativas para a safra de 2021/2022, porém, são melhores. Os elevados preços internacionais e o dólar valorizado favorecem a alta rentabilidade da cultura. Esses fatores, somados à comercialização antecipada e à fidelização de clientes internacionais, devem levar a um crescimento de 13,4% na área plantada, prevista pela Conab em 1,55 milhão de hectares.

A produção total é estimada em 2,71 milhões de toneladas, em volume 15,8% superior em relação à temporada 2020/2021, com produtividade média apresentando ligeiro ganho de 2,1% e ficando em 1.750 quilos por hectare.

Apesar da recuperação, os números esperados para a safra de 2021/2022 de algodão ainda ficam abaixo do registrado antes da pandemia; em 2019/2020, quando a área plantada foi de 1,66 milhão de hectares, a produção foi de quase 3 milhões de toneladas. O principal fator para a limitação do crescimento, avalia a Conab, é a boa rentabilidade do milho no momento.

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Redução de estoques

Retomada da indústria têxtil brasileira ajuda a pressionar a demanda por algodão na próxima safra. (Fonte: Shutterstock/Kostikova Natalia/Reprodução)
Retomada da indústria têxtil brasileira ajuda a pressionar a demanda por algodão na próxima safra. (Fonte: Shutterstock/Kostikova Natalia/Reprodução)

“A partir de agosto, nós sentimos uma recuperação muito forte da indústria”, afirma Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). A indústria têxtil deve apresentar crescimento de 6% em 2021, superando o patamar anterior à pandemia. O consumo interno do algodão deve alcançar 760 mil toneladas em 2022, reflexo da vacinação e do controle da crise sanitária, segundo a Abit. Isso significa alta de 6,3% em relação à demanda projetada para 2021, que é estimada em 715 mil toneladas.

Por outro lado, as exportações da pluma continuarão aquecidas, segundo avaliação da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea). Cerca de 80% da safra de 2020/2021, ainda em colheita, já foram comercializados, e um terço da próxima safra também já foi vendido. Neste ano, 2,1 milhões de toneladas devem ser embarcadas, enquanto em 2022 a exportação é estimada em 2 milhões de toneladas.

Nesse cenário, a Conab avalia que o estoque ao fim de 2021 será de 1,3 milhão de toneladas e ao fim do próximo ano, de 1,2 milhão de toneladas. Os volumes representam redução aproximada de 30% com relação ao patamar de 2019, quando o estoque final do algodão ficou em 1,9 milhão de toneladas.

Como deve ficar a cotação do algodão

Estoques reduzidos devem sustentar o preço do algodão na safra 2021/2022. (Fonte: Shutterstock/Jesse Macedo/Reprodução)
Estoques reduzidos devem sustentar o preço do algodão na safra 2021/2022. (Fonte: Shutterstock/Jesse Macedo/Reprodução)

A redução dos estoques de passagem, causada pela recuperação da demanda com a mitigação da pandemia, contribui para uma estimativa de sustentação da cotação do algodão. Externamente, a valorização da pluma é favorecida por problemas climáticos nos Estados Unidos, o principal exportador do produto, e pelo aumento das compras chinesas.

Entre os fatores de baixa, estão a previsão de crescimento da área plantada no mundo, a possibilidade de surgimento de novas variantes do coronavírus e a crise econômica no Brasil. No cenário neutro, a Conab estima que a média de preços da pluma em Mato Grosso para o período de agosto de 2021 a julho de 2022 fique em R$ 178,65 por arroba.

Fonte: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

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