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Leite: cotações pressionadas e demanda por eficiência

Com queda nas cotações mesmo na entressafra, setor pode melhorar em eficiência para ser menos afetado pela pandemia

Leite: cotações pressionadas e demanda por eficiência
09/06/2020 • 3 min. de leitura

As incertezas geradas pela pandemia do novo coronavírus impactaram negativamente o setor de lácteos em abril. Mesmo durante a entressafra, quando aumentam os custos de produção e diminui a oferta de leite no mercado, os preços tendem a cair no futuro. Nesse contexto, os produtores devem buscar ainda mais eficiência para manter os lucros na medida do possível.

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Entre os principais fatores da queda do preço dos produtos lácteos estão a paralisação do food service, que atende a bares e restaurantes, por conta das medidas de isolamento social, e a diminuição da frequência de compras dos consumidores. Isso gera um impacto negativo em todo o setor, mas mais especialmente nos produtos perecíveis, como os queijos. A cotação da muçarela caiu 8,3%, por exemplo, e muitas empresas estão deixando de fabricar esses produtos.

Dessa forma, a menor produção de derivados faz sobrar leite nas indústrias, que redirecionam essa matéria-prima para o mercado. Com a oferta maior do que a demanda, os preços tendem a cair. O mercado spot, do leite negociado entre as indústrias, apresentou queda de 18,2% em abril, de acordo com dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP). Isso deve fazer com que os valores pagos aos produtores caiam em maio. Em abril, o leite foi cotado a R$ 1,42 por litro, ainda relativamente alto, mas menor que os recordes alcançados em 2019.

Mesmo que o panorama para o setor seja incerto, o relatório do Cepea traz uma boa notícias: as exportações de produtos lácteos cresceram 32% no primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior.

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Setor pode melhorar em eficiência

Em um momento delicado como o atual, a eficiência pode ser um fator importante para a manutenção das atividades. Um estudo recente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontou que a maior parte da mão de obra das propriedades leiteiras não alcança a eficiência necessária. De 105 levantamentos realizados pela instituição, o referencial de eficiência (300 litros por homem por dia) só foi alcançado em 36% dos casos.

Esse dado é especialmente importante quando é considerado que o serviço corresponde, em média, a 15% dos custos, mas em algumas propriedades pode ser equivalente a 60% das despesas. A eficiência é importante porque ajuda a diluir o custo da mão de obra contratada em maior produção e, consequentemente, maior receita.

O estudo da CNA aponta alguns caminhos para auxiliar na resolução desse problema que, em resumo, envolve o aprimoramento das técnicas de manejo. É proposto o arraçoamento estratégico, que consiste no controle rotineiro da produção de leite em comparação com as datas de inseminação, parto e secagem, de modo que o rebanho seja dividido em grupos e todos os animais consumam a quantidade ideal de alimento.

Especialistas sugerem uma composição ideal da criação, que deveria conter em torno de 55% de vacas em fase de lactação, mas grupos com menor quantidade delas também podem apresentar problemas de eficiência. As soluções para essa questão envolvem a redução do período entre os partos, além da comercialização de bezerros, novilhos e vacas com problemas de reprodução e a aquisição de animais mais adequados para a produção de leite.

Segundo o relatório da CNA, as estratégias descritas não acarretam grandes custos de produção e ajudam no aumento da eficiência e na diluição dos gastos com mão de obra.

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Fonte: Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).