Dres: importância do método de diagnóstico rápido do solo

Com o Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo, é possível decidir as melhores técnicas de manejo de forma rápida e objetiva

Dres: importância do método de diagnóstico rápido do solo
11/03/2020 • 3 min. de leitura

Uma análise correta do solo pode influenciar amplamente a produtividade das plantações. Com o objetivo de tornar esse diagnóstico mais objetivo e científico, mas sem complicá-lo, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criou um método inovador. O chamado Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo (Dres) permite analisar de forma simples e rápida se a terra está degradada ou em boas condições para as plantas se desenvolverem. Ele se baseia nas percepções visuais e táteis do produtor ao manipular a terra, mas agrega conhecimento científico a essa avaliação, tornando-a muito mais assertiva.

Com base na metodologia, produtores e técnicos rurais podem decidir as formas de manejo mais eficientes para cada cultivo. "Aplicando o método, podemos entender o solo de uma maneira mais objetiva, rapidamente e sem empirismos", afirma o produtor Cleber Veroneze Filho, em entrevista ao portal da cooperativa agroindustrial Cocamar.

Como funciona o Dres?

O método se baseia na avaliação visual e na manipulação de amostras de terra com o intuito de avaliar algumas características que determinam a qualidade de sua estrutura. Isso é algo que todo produtor costuma fazer, então a grande inovação do DRES é oferecer uma forma para quantificar essa avaliação.

Para começar o diagnóstico, o produtor precisa retirar amostras dos primeiros 25 centímetros de terra, sendo que a quantidade depende do tamanho da gleba que se deseja avaliar. A partir disso, deve-se manipular a terra com as próprias mãos para obter os agregados e torrões de terra.

(Fonte: Embrapa)

As fases do diagnóstico

Uma vez que os agregados tenham sido obtidos, o produtor precisa analisar algumas características importantes: forma, tamanho e resistência à ruptura; forma, orientação e rugosidade das rupturas; evidências de atividade biológica e distribuição das raízes. Isso é importante para definir quantas e quais camadas existem naquele pedaço de terreno, com o objetivo de analisá-las separadamente depois disso. Segundo os especialistas da Embrapa, uma amostra pode ter de uma a três camadas.

Identificando todas elas, o produtor deve observar cada uma, avaliando sua estrutura e dando notas de um a seis, sendo a menor para as camadas mais degradadas e a maior para o solo em perfeitas condições de manejo. A partir dessas avaliações, é feita uma média ponderada com a espessura de cada camada, para obter o índice de qualidade do solo da amostra. Por fim, calcula-se a média simples de todos os fragmentos para determinar a qualidade da terra de toda a gleba. Com base nesse índice, são indicadas diferentes técnicas para o manejo do solo.

Como atribuir as notas

As notas não são atribuídas apenas pelas percepções visual e tátil. É possível medir os agregados e observar suas características para chegar a uma avaliação mais objetiva. Os dois principais critérios para isso são tamanho dos agregados e proporção deles na amostra; e presença de indícios visuais da degradação do solo ou, pelo contrário, da sua boa conservação.

Sobre o tamanho dos agregados, um solo com boa estrutura (nota seis) apresenta mais de 70% deles com tamanho entre um centímetro e quatro centímetros; ou seja, vários pedaços soltos e de tamanho semelhante.

(Fonte: Embrapa)

No outro extremo da avaliação, um solo nota um apresenta mais de 70% dos agregados com menos de um centímetro e mais de sete centímetros. Esse solo tem, ao mesmo tempo, grandes pedaços de terra coesos ou compactados e terra solta, quase areia, características estruturais que não são benéficas para o crescimento de plantas.

O segundo critério de atribuição das notas (indícios de degradação ou conservação) também demanda observação atenta. Uma terra com boa estrutura tem agregados grumosos, arredondados, com rupturas rugosas e indefinidas. Além disso, há muitos indícios de atividade biológica, e as raízes crescem sem restrição em todas as direções. Em compensação, um solo degradado apresenta rupturas retas e faces mais lisas, com poucas raízes, que, quando existem, crescem nas fissuras e são achatadas.

Método objetivo, mas simples

Embora o diagnóstico seja feito de forma rápida e a avaliação utilize a visão e o tato, a definição da qualidade do solo é feita de forma bastante objetiva. Assim, o produtor rural pode ter certeza do nível de conservação da terra em que está plantando e tomar as decisões mais assertivas para o seu manejo, sem depender de tentativa e erro.

A Embrapa oferece diversos materiais que facilitam o estudo da metodologia DRES para aqueles que desejam aplicá-la em suas propriedades, como um folder que explica resumidamente os critérios de avaliação e as fórmulas para calcular os índices de qualidade do solo, além de um livro digital que explica o método em detalhe.

Fontes: Embrapa e Cocamar