Doenças transmissíveis podem custar caro ao setor pecuário

Os prejuízos provocados pelos problemas de saúde na pecuária chegam a US$ 18 bilhões, e a prevenção ainda é um desafio para os produtores

Doenças transmissíveis podem custar caro ao setor pecuário
04/04/2020 • 2 min. de leitura

As doenças transmissíveis na pecuária representam uma preocupação para os produtores. Isso porque os efeitos atingem a produtividade, provocando a escassez de itens como ovos, carne e leite — além de risco ao bem-estar dos animais e da possibilidade de transmissão para seres humanos. Só os distúrbios provocados por parasitas representaram US$ 18 bilhões anuais em perdas para o setor.

A atenção é redobrada no que diz respeito aos galináceos, já que são o maior rebanho efetivo de acordo com o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Bovinos, suínos e perus, respectivamente, dão seguimento à lista.

Tipos de doenças e efeitos

Esterilidade, subfertilidade e queda na produção dos alimentos estão entre os problemas provocados pelas doenças, assim como prejuízos na hora da exportação e diminuição do crescimento do rebanho.

(Fonte: Pexels)

Os tipos de doenças são variados. As viroses, por exemplo, afetam bovinos, suínos e equinos. As bacterianas, por sua vez, também atingem caprinos e ovinos — sendo representadas pela tuberculose e pela brucelose. Alguns parasitas ainda podem provocar babesioses (doença do carrapato), vibriose e tricomonose em bovinos.

Os países europeus já chegaram a restringir o transporte de gado vivo para evitar disseminação de algumas doenças. O caso mais conhecido é a proibição da exportação britânica de carne na década de 1990, em função dos riscos da doença da “vaca louca”.

Formas de prevenção

Alguns cuidados podem evitar vários problemas de saúde nos animais, como ventilação adequada, manejo feito corretamente e ordenhadeiras bem reguladas. O contato dos rebanhos com animais selvagens ainda pode representar uma possível fonte de risco, de acordo com um estudo realizado por biólogos da Universidade de Alberta.

(Fonte: Pexels)

A recomendação do professor de Ecologia Mark Boyce é focar no gerenciamento do rebanho objetivando minimizar esse tipo de contato — diminuindo as chances de transmissão. Com o surgimento de bactérias mais resistentes a antibióticos, as medidas de prevenção têm se tornado ainda mais importantes.

Esse tipo de preocupação foi o que fez o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançar o Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinárias. Por meio dele, o produtor pode ter apoio na hora de notificar e solucionar suspeitas de doenças na pecuária.

Providências na lei

A notificação da suspeita ou da ocorrência é obrigatória, principalmente para os profissionais da área. O objetivo é impedir a disseminação e promover o controle o mais rápido possível, evitando prejuízos à produção e à saúde.

A instrução normativa nº 50 conta com uma lista de doenças que devem ser comunicadas, como brucelose, peste bovina, hepatite e peste suína. Caso o problema de saúde não esteja na lista, ainda é necessário comunicar se o índice de morbidade for alto.

Fonte: The Guardian, Embrapa, Diário Oficial da União