A epidemia de coronavírus e seu impacto na exportação de grãos

Como o coronavírus pode afetar a relação comercial entre Brasil e China, a maior compradora de grãos brasileiros

A epidemia de coronavírus e seu impacto na exportação de grãos
12/03/2020 • 3 min. de leitura

A epidemia de coronavírus já matou mais de três mil pessoas na China e tem casos confirmados em praticamente todo o mundo.  Esse cenário traz preocupação tanto para a saúde pública quanto para os setores da economia. Afinal, o avanço da doença afeta as bolsas internacionais, que em queda fazem o valor do dólar disparar e o preço das commodities cair no mercado internacional. Uma possível diminuição da demanda do mercado chinês poderia tornar 2020 mais difícil para o setor de exportação brasileiro.

O gigante asiático é um dos grandes importadores de grãos do Brasil, e ainda não se sabe ao certo o real efeito do surto de coronavírus na economia. O governo brasileiro está monitorando com atenção o desenvolvimento desse quadro epidêmico, mas afirma que, até o momento, não houve prejuízo para os exportadores.

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou que a queda de 20,2% nas exportações em janeiro deste ano em relação ao mesmo período do ano passado não está relacionada ao surto do vírus. De acordo com o subsecretário, o recuo é explicado pela alta base de comparação, elevada pela exportação de uma plataforma de petróleo e por vendas recordes de celulose no início de 2019.

Em evento no Rio de Janeiro na última semana, o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, acrescentou que o contexto global é desafiador. Além da questão do coronavírus, a economia mundial ainda está assimilando as consequências da guerra comercial entre Estados Unidos e China — que, segundo ele, configura um cenário potencialmente favorável ao Brasil em um possível deslocamento mundial de demandas agrícolas. “Em alguns momentos, a incerteza externa é uma oportunidade para o Brasil, como é o caso da soja”, afirma.

Coronavírus e a exportação de soja

(Fonte: Pixabay)

No mercado de grãos, a soja ganha amplo destaque. O Brasil é o maior exportador mundial do grão, responsável por 56% de toda a soja negociada no mundo em 2018, de acordo com dados da Organização Mundial do Comércio (OMC), movimentando US$ 60 bilhões naquele ano. Já a China é o maior comprador de soja brasileira, que representa 85% das 94 milhões de toneladas importadas pelo país em 2018. Dessa forma, a grande preocupação para o agronegócio brasileiro é que o coronavírus desacelere a economia chinesa e leve o país a revisar seus contratos de importação.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz, enxerga que, em curto prazo, o mercado dessa commodity não será afetado, uma vez que os contratos de venda são firmados com antecedência de seis a oito meses. Isso significa que boa parte das negociações já foram feitas e um grande volume da safra para exportação já está vendido. Entretanto, ele concorda que a demanda pode ser afetada se a epidemia de coronavírus começar a avançar descontroladamente. A previsão é de que, mesmo que essa questão de saúde pública venha a se agravar, a China continue a importar a soja brasileira, ainda que haja uma diminuição do volume total demandado. E avalia-se que esse possível recuo não seja muito significativo para a exportação de grãos caso venha a acontecer. Tudo depende da gravidade da infestação daqui para frente.

Assim, o mundo observa atento e preocupado os desdobramentos da epidemia de coronavírus, uma vez que, além de ser um risco real para a vida das pessoas, um surto em grande escala pode acarretar grandes impactos econômicos em nível global.

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Fonte: Estadão Saúde; SNA