Como o coronavírus impacta as exportação de carne

Com a redução na produção e o recuo dos países importadores, a pandemia começa a afetar a exportação de carne no Brasil

Como o coronavírus impacta as exportação de carne
06/04/2020 • 3 min. de leitura

De acordo com um levantamento do Itaú BBA, até a terceira semana de março, a exportação de carne bovina registrou média 7% mais baixa do que no mesmo período de 2019 e 5% menor do que nos envios de fevereiro nessa altura do mês. Por mais que o cenário não seja positivo, a volta parcial das compras chinesas deve movimentar o setor.

Até o fim de 2019, o Brasil encarava um problema interno com o aumento do preço das carnes, o que tinha como fator principal o crescimento na demanda por exportação, principalmente da China. Até aquele momento, a maior preocupação era voltar a recuperar o equilíbrio entre os mercados interno e externo, estimulando os produtores e criando oportunidades de emprego graças ao fator competitivo do setor. Agora, o cenário é completamente diferente: uma pandemia mundial de um novo coronavírus transformou a relação de consumo e oferta no mundo todo.

O surto de covid-19 causou e continua causando diversos impactos em todas as esferas: sociais, sanitárias e econômicas, incluindo o setor de exportação de carne. Com a abertura gradual da circulação de pessoas na China, porém, a expectativa é que a balança de exportação apresente menores quedas.

(Fonte: Shutterstock)

A reviravolta causada pelo coronavírus

A exportação de carne brasileira, que tinha diante de si um caminho positivo e animador, tem sofrido com as medidas necessárias para conter a disseminação do novo coronavírus. Empresas e frigoríficos já começaram a reduzir o ritmo — a JBL, por exemplo, definiu férias coletivas de 20 dias em cinco de suas 37 unidades no País, e a Minerva teve o mesmo direcionamento em quatro de suas dez unidades em território nacional.

Outras distribuidoras e exportadoras de carne buscam soluções para proteger seus colaboradores, reduzir a disseminação da covid-19 e contornar os prejuízos. Antecipar férias é uma forma de garantir que os trabalhadores recebam seus direitos e possam voltar ao trabalho quando a situação se acalmar, reduzindo ao máximo as consequências econômicas para a empresa, para o setor e para os próprios funcionários.

Fatores externos também contribuem para que essas soluções sejam necessárias, como o recuo dos países importadores da carne brasileira. Com a economia paralisada e a situação de quarentena em várias regiões, a redução nas demandas, pelo menos temporariamente, é uma realidade.

Fronteiras fechadas, quarentena e crise econômica desequilibram o abastecimento e consumo dos alimentos.
(Fonte: Unsplash)

Impactos no mercado internacional

Além do recuo da China, que foi o país que mais aqueceu a exportação de carne nos últimos meses, o mercado europeu decidiu fechar e limitar suas movimentações. Durante a pandemia, diversos contratos chineses foram renegociados, desacelerando a demanda de carne brasileira no período.

Atualmente, a China já registra dados positivos em relação ao controle do novo coronavírus. A disseminação da doença entre habitantes está praticamente controlada, e os últimos casos são de estrangeiros que chegaram ao país. Dessa forma, uma retomada nos contratos de importação de carne é esperada; no entanto, vale lembrar que os impactos econômicos ainda refletirão significativamente o poder de compra dos consumidores, podendo levar esse quadro de baixo consumo ainda mais adiante.

Após a recuperação mundial, a expectativa é que haja crescimento nas demandas e que o Brasil volte a abastecer o mercado externo, retomando contratos antigos e negociando novas oportunidades.

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Fonte: Estadão