Mercado chinês: saiba o que está em jogo com a retração de agosto

29 de setembro de 2020 4 mins. de leitura
Coronavírus e guerra comercial com os Estados Unidos ameaçam o agronegócio da China, que precisa equilibrar a balança comercial

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Agosto tem sido particularmente difícil para a China, e a tendência é que o país feche o mês com problemas para equilibrar a balança comercial. Entre os principais dilemas que afetam o agronegócio chinês e impactam o mercado mundial estão a guerra comercial com os Estados Unidos, os casos de coronavírus e a ocorrência de chuvas fortes que causaram enchentes na região.

Segundo relatório divulgado pela Rabobank, multinacional financeira com sede na Holanda e líder mundial em financiamento para a agroindústria, os problemas climáticos afetaram tanto a produção agro quanto a tendência do consumo familiar, por isso alguns produtos tendem a manter os preços elevados e dificultar a exportação.

Além disso, a reincidência de casos de covid-19 tem criado a necessidade de políticas de isolamento em regiões estratégicas para a produção chinesa. Caso isso permaneça acontecendo ao longo de 2020 e até no próximo ano, a tendência é retardar a recuperação do agronegócio chinês.

Produção

Maiores enchentes dos últimos 20 anos desafiam a produção da agroindústria chinesa. (Fonte: Shutterstock)

O relatório detalha uma série de aspectos do agronegócio impactados pelos problemas que se concentram no mês. Entre os principais pontos estão os mercados de fertilizantes e agroquímicos, cuja baixa se deve à redução da demanda diante dos problemas climáticos, e o de aves, que permanece em queda, mas espera uma recuperação no segundo semestre. Diante disso, existe uma tendência de a China se voltar para a produção de lácteos, sendo que o mercado de food service pode ajudar, caso a demanda por entrega de alimentos aumente.

Segundo a Rabobank, também há aspectos positivos que ajudam a equilibrar a situação do agronegócio do país. Apesar da alta no preço e da guerra comercial com os Estados Unidos, a China continua sendo um dos principais compradores do mercado, sobretudo de soja e milho.

Outra boa notícia para os chineses se refere ao preço dos suínos, que se recuperou em julho e entrou em agosto com alta. Mas essa produção exige atenção redobrada, uma vez que as inundações causadas pelas chuvas fortes aumentam o risco de doenças que podem afetar a suinocultura.

Mercado interno

Os reflexos da pandemia devem continuar a ser sentidos no consumo interno. (Fonte: Shutterstock)

Diante desse arranjo que traz incertezas quanto à saúde das exportações do país, o governo chinês tem investido no aumento do consumo interno por meio de uma estratégia chamada de circulação doméstica, que não se restringe ao mercado agro. Empresas de tecnologia, como a Huawei, estão na mira dessa política.

A ideia das autoridades é tornar a China menos dependente de capital e tecnologias estrangeiras, sobretudo dos Estados Unidos, direcionando o foco para o mercado interno. Trata-se de uma intensificação do que já é sentido na estratégia comercial do país e nas tendências de investimento, a exemplo das aplicações maciças em centros de pesquisa, universidades e empresas.

Ainda assim, essa tarefa não será fácil. A retração econômica também é sentida dentro do país, seja porque alguns nichos ainda estão em recuperação dos impactos da pandemia, seja porque as famílias continuam priorizando o varejo alimentício para a subsistência diária, em um reflexo da pandemia, cujos focos reincidentes causam insegurança no consumo.

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Fonte: Notícias Agrícolas.

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