Comércio exterior: Brasil recua 8,2% em 2020

13 de julho de 2021 5 mins. de leitura
Apesar dos bons resultados no agronegócio, País teve balanço comercial pior do que a média mundial

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Assim como os outros países, o Brasil sofreu grandes instabilidades econômicas durante o ano de 2020, devido à pandemia causada pelo novo coronavírus. No entanto, em um estudo recente divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o País teve um recuo acima da média mundial para a corrente de comércio.

A corrente de comércio considera a soma dos números de importações e exportações no ano, e o levantamento foi realizado com base em números recentes da Organização Mundial do Comércio (OMC).

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Impactos da pandemia na corrente de comércio brasileira

De acordo com os dados avaliados pelo levantamento da CNI, o Brasil apresentou em 2020 um recuo de 7% nas exportações e 10% nas importações. Os especialistas que realizaram o estudo atribuem a queda nas vendas externas à paralisação do mercado durante os períodos mais críticos da pandemia, além da queda geral do comércio internacional logo no início da crise de saúde.

Já em relação às importações, onde o recuo apresentou um número ainda maior, o principal fator crítico, segundo as análises, foi a desvalorização do real ao longo de 2020. Ela prejudicou as relações de compra do mercado internacional, já que os produtos – geralmente comercializados em dólar – foram encarecidos, reduzindo a competitividade e a vantagem econômica das importações.

No ano de 2020, o Brasil participou de 1% da movimentação global de exportações e importações. Com isso, mesmo diante dos recuos, o País conseguiu se manter em 27º lugar no ranking de comércio mundial. 

Média mundial e o resultado do G20

O Brasil faz parte do grupo G20, que engloba as 20 maiores economias mundiais. Dentre todos os membros desse grupo, somente a China conseguiu registrar um crescimento na corrente de comércio no ano de 2020.

O país asiático teve um avanço de 4% nas exportações e de 1% nas importações, somando US$ 4,6 trilhões em 2020. Com isso, conseguiu aumentar sua participação no comércio mundial, subindo de 12% para 13%, colaborando para que a China mantivesse a liderança no ranking. 

Os Estados Unidos ocupam o segundo lugar no ranking. O país somou US$ 3,8 trilhões na corrente de comércio em 2020 e teve uma participação de 11% no comércio mundial — mesmo registrando recuo nos números de importações e exportações.

O terceiro lugar no ranking de comércio global ficou com a Alemanha, com 7% de participação, seguida do Japão, com 4%. 

Cenário futuro para o Brasil

A CNI tem defendido políticas internas e externas que os especialistas acreditam ser essenciais para a recuperação do Brasil no comércio global. 

Entre as polícias internas, a CNI defende o avanço de reformas estruturais, principalmente a tributária, e a eliminação de gargalos que aumentam o custo no Brasil, como a implantação de estruturas modernas e tecnológicas que possam otimizar os processos. 

Já em relação às políticas externas, a CNI recomenda a adoção de uma agenda comercial com medidas de desburocratização, redução de tarifas, melhoria do financiamento e o fechamento de acordos comerciais para a redução de barreiras aos produtos brasileiros no exterior. 

A CNI também afirma que a interação do Brasil com o comércio exterior depende da recuperação da economia global na era pós-pandemia, principalmente de seus principais parceiros comerciais, como os Estados Unidos, a Europa e os demais países da América Latina.

O agronegócio na liderança da recuperação

Como ponto positivo nessa recuperação e no equilíbrio da economia brasileira, pode-se destacar o agronegócio, que, em 2020, teve um crescimento de 4,1% em relação a 2019. 

Contrapondo os resultados gerais da corrente de comércio, o agronegócio registrou aumento nas exportações, resultando em um saldo superavitário de US$ 87,76 bilhões para o setor, de acordo com dados do boletim da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).  

Os cinco principais setores exportadores do agronegócio brasileiro no ano de 2020 foram:

  • Complexo soja (US$ 35,24 bilhões e 35%).
  • Carnes (US$ 17,16 bilhões e 17%).
  • Produtos florestais (US$ 11,41 bilhões e 11,3%).
  • Complexo sucroalcooleiro (US$ 9,99 bilhões e 9,9%).
  • Cereais, farinhas e preparações (US$ 6,89 bilhões e 6,8%).

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Fonte: Agência Brasil. 

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