BREXIT: novas oportunidades para o agronegócio brasileiro

20 de janeiro de 2021 3 mins. de leitura
Com o Reino Unido fora da União Europeia, produtos do agronegócio têm tarifas reduzidas pelos britânicos

A partir de janeiro de 2021, o Reino Unido fica oficialmente fora da União Europeia (UE). Esse processo ficou conhecido como Brexit e estabeleceu um novo período no regime tarifário britânico: o UK Global Tariffs.

O acordo firmado entre o Reino Unido e a UE pode fomentar as relações comerciais com o Brasil, aumentando a demanda do Reino Unido por commodities agrícolas brasileiras. De acordo com especialistas do segmento, Londres deve iniciar buscas por novas parcerias.

Além disso, segundo um estudo realizado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o novo regime tributário do Reino Unido altera as tarifas de importação aplicadas sobre 563 produtos do agronegócio, com taxas zeradas ou reduzidas e medidas simplificadas para as negociações. 

No ano passado, as exportações totais do agronegócio brasileiro para o país europeu atingiram U$S 1,43 bilhão. De acordo com CNA, “em relação às importações advindas do Brasil, cerca de 37% da pauta terá alguma flexibilização tarifária, e 15% da pauta de 2019 está classificada entre os produtos com maiores oportunidades para ampliação comercial”.

Oportunidades para os produtores brasileiros após o Brexit

O estudo realizado pela CNA sobre as oportunidades pós-Brexit para o agronegócio brasileiro revela que os produtos com alíquotas reduzidas representaram cerca de 47,3% do comércio de itens do agronegócio mundial com o Reino Unido. Em relação ao mercado brasileiro, o volume liberalizado corresponde a US$ 533 milhões.

Dos 550 produtos que tiveram seus impostos flexibilizados, cerca de 50 apresentaram as melhores oportunidades para os produtores brasileiros, como frutas, peixes, farinhas, óleos vegetais, mel, bebidas alcoólicas e couro. Isso porque, segundo o estudo, esses itens são os que apresentam as melhores características e volumes exportáveis.

Algumas frutas tiveram redução de até 14% das tarifas, como é o caso do limão; outras também tiveram taxas reduzidas, como maçãs e uvas. As frutas são atualmente o terceiro principal grupo de produtos exportados pelo Brasil para o mercado britânico.

No ano de 2019, essa classe de produtos somou 178,8 milhões de dólares em exportação, atrás somente da carne de frango e da madeira. Itens como vinho e cacau tiveram mudanças ainda mais significativas, sendo liberados para importação no mercado britânico com impostos zerados. 

Os óleos essenciais também tiveram a retirada de tarifas para todos os produtos, o que também beneficia o mercado brasileiro de exportação. De acordo com a pesquisa desenvolvida pela CNA, o Brasil tem grande representatividade no fornecimento de óleos essenciais de laranja para o Reino Unido, respondendo por 33,4% das importações totais da região.

O açúcar é outra commodity que deve se beneficiar na era pós-Brexit. Recentemente, o Reino Unido anunciou a criação de uma cota sem tarifa para importação de 260 mil toneladas de açúcar bruto de cana. Após receber essa notícia, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) destacou que a medida maximiza o acesso do Brasil a um mercado que antes era suprido majoritariamente pelo produto da União Europeia. 

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Fonte: Correio Braziliense.

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