Prosperidade é a governança da esperança

19 de maio de 2021 5 mins. de leitura
Cooperativas têm a resposta para o crescimento no agronegócio

Embaixadores do Agro

José Luiz Tejon Megido*

Márcio Lopes, presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), me trouxe essa palavra essencial: “prosperidade”. E, a partir disso, busco suas raízes onde quer que possa olhar. O Brasil precisa muito.

Reúno duas peças estratégicas de elevada importância para o País. Uma delas é o artigo do embaixador Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), no Estadão (para assinantes).

A outra, um encontro que tive na mesma data com quatro líderes das mais
importantes cooperativas do País, promovido pela Mundocoop. Barbosa revela, no seu artigo, que a China passou doravante a adotar um planejamento estratégico em que não fala mais em aumento do PIB (também hoje superam US$ 16 trilhões), e colocam um foco determinado em aumento do poderio econômico e tecnológico até 2035.

Sua proposição é ser líder global em inovação, e esse plano foi batizado como “made in China”. E doravante constata o embaixador Rubens Barbosa, a China pretende ganhar prestígio internacional com uma política ambiental e de mudança de clima, obtendo com isso benefícios econômicos. Ainda a partir da visão de Barbosa: “Não temos no Brasil planos claros de saída da crise nem de avanços sociais e tecnológicos, também já fomos a sétima maior economia do mundo em 2011 e hoje caímos para a 12ª posição”.

E o que o cooperativismo e esse encontro dos líderes têm em comum? O encontro foi formado por Fernando Degobbi, presidente da Coopercitrus; Willem Bouwman, presidente da Castrolanda; Shandrus de Carvalho, presidente da Holambra Agroindustrial; e Carlos Augusto Rodrigues de Melo, presidente da Cooxupe.

Simples, tudo aquilo que Barbosa explicita e pede ao governo brasileiro,
trazendo como referência o planejamento chinês, essas cooperativas têm.
Crescem a dois dígitos; Aumentam o número de cooperados;
Detém o estado da arte da inovação e da tecnologia; Seguem planejamento estratégico e governança.

Degobbi, da Coopercitrus, afirmou ter crescido 27% no ano passado e está criando um modelo exemplar de tecnologia aplicada e de educação com a fundação cooperativa, no modelo da fundação Shunji Nishimura de Tecnologia de Pompeia. Bouwman, da Castrolanda estabeleceu uma intercooperação com outras duas cooperativas exponenciais, Capal e Frisia, todas da região dos Campos Gerais do Paraná e disse que o seu sonho é “criar uma intercooperação internacional para exportação e agregação de valor global, pois as cooperativas têm ótima imagem e abrirão muito mais portas na competição mundial”.

Carvalho, da Holambra Agroindustrial, tem os melhores índices de produtividade do País, com média de 91 sacas por hectare na soja, quando a média nacional está abaixo de 60 sacas. E diz: “Precisamos levar o agricultor até a inovação e não a inovação ao agricultor”. Melo, da Cooxupe, atua com planejamento estratégico de longo prazo e enfatizou a importância do porto de Santos ter atuado com resiliência e desempenho, sendo isso o que permitiu que as exportações de café continuassem e de todo o agro do país. Ele enfatiza a inovação, salientando que a digitalização sempre estará a serviço do ser humano, pois cooperativismo são pessoas.

Precisamos, sim, urgentemente de um planejamento estratégico das principais cadeias produtivas do Brasil. Somente com a agropecuária não conseguiremos carregar o País nas costas. O agro cresce e o PIB decresce. Sem o agro, seria pior, sem dúvida. Porém, não é possível termos cadeias produtivas que não se integram, como exemplo a proteína animal sem milho e soja para alimentar os animais a preços competitivos, e desemprego e fome, quando o modelo cooperativista mostra e explica como onde existe uma cooperativa bem liderada ali o IDH, a qualidade de vida e milhões de pequenos e médios empreendedores são bem sucedidos…

Sim, embaixador Rubens Barbosa, precisamos urgentemente de um planejamento preciso e profundo, onde o desejo econômico, institucional, infraestrutura, ambiental e social, não sejam apenas linhas impressas num papel.

As cooperativas mostram o caminho. E se me perguntarem hoje, quem melhor poderia falar em nome do agronegócio brasileiro, não tenho dúvida: as cooperativas do país.

Márcio Lopes, presidente da OCB, me disse uma palavra espetacular: cooperativismo é prosperidade. E como obtemos prosperidade? Com a governança da esperança. As cooperativas serão do tamanho do Brasil e o Brasil será do tamanho do cooperativismo. Liderança cria a governança que realiza a boa esperança.

*José Luiz Tejon Megido é colunista do Jornal Eldorado, doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da Fecap; membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) e do Conselho Científico do Agro Sustentável (CCAS) e sócio-diretor da Biomarketing

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