Oferta de crédito estável é fundamental para o setor de máquinas agrícolas

12 de fevereiro de 2021 4 mins. de leitura
Como já previsto pela Abimaq, os recursos das linhas de financiamentos agrícolas do Plano Safra 20/21 não serão suficientes para atender à demanda

Embaixadores do Agro

Por João Marchesan*

Enquanto diversos setores da economia brasileira tiveram que lidar com enormes prejuízos causados pela Covid-19, o agronegócio manteve seu crescimento graças à produção de grãos e às exportações agrícolas de commodities e de equipamentos. Contexto esse que demanda dos produtores, recursos para aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, insumos e, construção de armazéns. No entanto, conforme já prevíamos, pelo ritmo de desembolsos, os recursos disponibilizados para o Plano Safra 2020/21 não serão suficientes para suprir essa demanda. 

A disponibilidade de linhas de financiamentos a custos competitivos e em volume de recursos adequados à demanda do setor são fatores essenciais para a continuidade da reposição dos equipamentos, aprimoramento tecnológico da frota e manutenção da produtividade, evitando interrupções que para o setor são extremamente danosas em função da natureza dos produtos.  

Além disso, a previsibilidade e estabilidade na oferta de crédito são fundamentais para elaboração do planejamento empresarial notadamente nas decisões de investimento. A descontinuidade na oferta de financiamento é altamente perniciosa para a indústria que se vê obrigada a parar a produção com prejuízos irrecuperáveis. Estas interrupções se somam ao custo Brasil onerando as indústrias e consequentemente o agricultor. Por outro lado, o agricultor fica com janela de compra menor, nem sempre comprando na melhor época.

Vale destacar ainda que volumes de recursos adequados é fator de previsibilidade e estabilidade no sistema de comercialização de máquinas agrícolas. Agricultores podem planejar suas compras na época adequada e o fluxo de negócios não sofre paradas que, se ocorrerem, trazem prejuízos para todos os participantes do sistema.

Aportes adicionais: Abimaq pleiteia mais recursos para alguns programas do Plano Safra 2020/2021 (Foto: Divulgação)

Outro ponto que se deve levar em consideração são financiamentos com juros fixos para que o agricultor possa conhecer o valor das prestações facilitando a tomada de decisão. Ressalto que esses juros devem ser compatíveis com a atividade econômica.  

Para que o segmento de máquinas e implementos agrícolas possa dar continuidade ao seu crescimento e, consequentemente, seguir contribuindo com a retomada econômica do país, reforçamos a necessidade de aporte adicional de recursos para alguns dos programas que compõem o Plano Safra 2020/21. 

Os recursos do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) necessitam de aporte de R$ 7 bilhões. O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) carece de custeio de R$ 3,8 bilhões. A linha Inovagro precisa de incremento de R$ 800 milhões. Já o Pronaf Mais Alimentos requer acréscimo de R$ 1,8 bilhão. Esta situação influencia diretamente na movimentação dos negócios no segmento agroindustrial. 

Por outro lado, além da mobilização junto ao governo, a ABIMAQ também está em busca de soluções próprias e favoráveis junto aos bancos privados. Nessas reuniões, pedimos a fixação de taxas para as linhas próprias dessas instituições semelhantes às já existentes no mercado (oriundas do Plano Safra) a fim de contribuir para alavancagem do agronegócio brasileiro. Sabemos que não é fácil, mas estamos trabalhando para tentar viabilizar o suplemento desses recursos. 

O segmento agrícola está investindo, renovando seu parque de máquinas, que tem 50% da frota com idade média de 10 a 15 anos de uso. Não podemos perder este momento de contínuos investimentos na modernização, levando em conta que estamos entrando na era da Agricultura 4.0. Por tudo isso, continuaremos nossos esforços para encontrar uma forma de administrar a escassez dos recursos agrícolas.

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*João Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.

Nota: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.

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