O agronegócio precisa funcionar de forma harmônica

3 de março de 2021 4 mins. de leitura
Todas a cadeias que formam o agro precisam caminhar na mesma toada e ter uma boa comunicação para o setor deslanchar ainda mais

Embaixadores do Agro

Por José Luiz Tejon Megido*

O termo agronegócio é a tradução de “agribusiness” e significa múltiplos elos, que são como células. A reunião de células forma os órgãos e tudo isso integrado representa a saúde do corpo.

Cada órgão e cada célula é importante. No entanto, sem a orquestração desses elos seria como uma sinfônica onde a cacofonia prevalece e não a sinfonia. Portanto, o agribusiness exige liderança das cadeias produtivas, clama por um maestro ou uma maestrina.

Na administração contemporânea, encontramos a função do “design estratégico” como uma arte que nos revela tudo o que funciona e como funciona. Tais mapas ajudam a descobrir o que precisa ser feito para a evolução criadora de cada sistema analisado.

Ao longo de cinco anos do Congresso Nacional de Mulheres do Agronegócio, realizado no Transamérica Expocenter com o apoio da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), ao lado dos designers Marco Zanini e Victor Megido, assisti aos estudos de caso de Marise Porto sobre Integração Lavoura Pecuária-Floresta (ILPF), de Antonieta Guazelli sobre a produção de leite, de Lilica Almeida sobre o resgate da linhagem Nelore do Golias. E mais, histórias de organizações como Batata Bem Brasil, Cooperativa Castrolanda, empresas Seara e Souza Cruz. Todos os estudos claros exemplos de “design thinking” em funcionamento.

Em outras palavras, todos exemplos de gestões modernas de propriedade agrícolas, de agroindústria, cooperativa e revenda, que têm estratégias de “design thinking”.

Saindo da microeconomia empresarial e olhando os macros sistemas de cadeias produtivas, vamos encontrar necessidades emergenciais de um estudo de “design thinking” para diminuir os impactos indesejáveis dos fatores incontroláveis e fortalecer a cooperação entre os elos de cada cadeia.

Comparando a algo simples, o agronegócio não funciona como retalhos isolados de panos que não conversam entre si. Para formar uma bela colcha de retalhos é preciso de um especialista em “patchwork”. Já passou da hora do “design thinking” ser utilizado pelo agro brasileiro.

Ao escutarmos as “vozes” de diversos setores e líderes do agronegócio – um conjunto complexo formado por institutos de pesquisa, área industrial, comercial, de serviços, originação, alimentos, fibras e energia – constatamos a desconexão como regra e a conexão como exceção. Como bom exemplo, destaco o trabalho com o algodão, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), que tem bons elos internos e compromissos ESG, sigla em inglês para melhores práticas ambientais, sociais e de governança.

Há também iniciativas como a Coalizão Brasil Clima, Floresta e Agricultura, a Pecuária Legal, a união do Brasil e Alemanha para o bem-estar animal e o programa de Rastreabilidade e Monitoramento de Alimento (Rama) da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que seguem um bom caminho. Mas isso não basta.

Fica evidente o pouco diálogo entre o varejo, a indústria, a agricultura, o setor de insumos, a área acadêmica e os consumidores finais. Falta um planejamento estratégico com foco no cidadão. A falta de comunicação também afeta a difusão de políticas públicas, como o Plano ABC, de agricultura de baixo carbono, e de ações para o desenvolvimento do cooperativismo de crédito no Norte e Nordeste e de pesquisas, como as da Embrapa.

No âmbito internacional, também falta uma ação coesa entre a iniciativa privada e órgãos como o Ministério das Relações Exteriores e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Também ajudaria a participação da indústria e da mídia, apoiando na correta divulgação para formar uma percepção correta da sociedade.

O “design thinking” deve impulsionar o “agrothinking” e um planejamento estratégico de todo agro brasileiro. Desta forma, os retalhos deixam de ser apenas partes isoladas e criam obras úteis e sinfônicas.

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*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação pela UDE – Uruguay; mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP); sócio-diretor da Biomarketing e membro do Conselho Científico do Agro Sustentável (CCAS) e do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Nota: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.

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