Três missões sagradas do agroconsciente

21 de julho de 2022 4 mins. de leitura
Estamos no rumo de uma recessão global com queda no consumo, inflação e desarranjo em todas as cadeias de suprimentos inclusive dos alimentos.

Uma crise planetária agravada por polarizações político-ideológicas, acompanhada de uma falência de líderes visionários, competentes e que possam executar uma condução para a prosperidade, o que significaria a governança da boa esperança.

Os alimentos triplicaram de preço. Porém, os custos para produzir alimentos também. Temos hoje no planeta Terra cerca de 4 bilhões de pessoas numa faixa de insegurança alimentar e 1 bilhão na fome.

No Brasil, o maior produtor de alimentos do mundo, com potencial para triplicar de tamanho em todas as suas cadeias produtivas, contamos com 33 milhões de brasileiros na faixa da insegurança alimentar profunda, na beira da fome e outros tantos na insegurança de qualidade no acesso a uma dieta saudável e temos um PIB insignificante perante o potencial nacional.

Enquanto isso, as lideranças não se reúnem para a governança do item mais sagrado dentre todos, o alimento, uma missão que doravante precisa ser compromisso de todas as nações, dentro de um capitalismo consciente e sustentável.

Fome zero no mundo e educação ambiental.

Dentro desse objetivo de compromisso humano com a vida, tendo ciência já disponível para agroenergia e transformarmos as riquezas originadas de solos e águas em riquezas para todos e jamais as extinguirmos, pois sustentabilidade significa jamais roubar do futuro para lucrar no presente.

Vamos, então, para um único caminho a seguir, nas três missões sagradas de um agroconsciente.

Primeiro o capitalismo consciente realizando com segurança e saúde a oferta de alimentos de qualidade com respeito aos processos ESG para todo mercado com renda para consumir.

Segundo, precisamos do cooperativismo para incluir milhões de seres humanos na produção e ao fazer isso gerar para esses milhões e outros no seu entorno renda para adquirir os bons alimentos e a saúde alimentar e energética, isso significa governança de cadeias produtivas o “agribusiness” como foi concebido em Harvard nos anos 1950 e trazido ao Brasil por Ney Bittencourt de Araújo (in memorian) já nos anos 1980.

Terceiro, onde não for possível incluir milhões de seres humanos na produção via cooperativismo e na renda para participar dos mercados, necessitaremos, a curto prazo, da filantropia. Atender na emergência seres humanos que não têm renda para comprar comida e não desenvolvem atividades geradoras de renda e trabalho de valor agregado.

Significa a filantropia, mas não uma que se perpetue em assistências que acomodam e mantêm os assistidos para sempre, será a filantropia de resultados, em que após a missão de não permitir que nenhum ser humano na Terra passe fome, sejam implantados via cooperativas a dignidade da construção então de um capitalismo consciente para todos.

Agronegócio novo é agrocidadania, é agroconsciente.

Isso não é utopia. É governança da boa esperança. Pode ser feito. Só depende de líderes, de bons líderes, de bons seres humanos acima de tudo. Esse futuro é inexorável, realistas esperançosos atuam nessa visão e isso está muito “além da superação”: é a justa dignidade da evolução.

Para tanto, precisamos formar uma juventude com estruturas pessoais de liderança em que ética, responsabilidade e liberdade se complementem e com sólidas competências na governança das cadeias produtivas do complexo do agronegócio. No master internacional FAM – food & agribusiness Management, na Audencia Business School, em Nantes (França), a juventude do mundo todo está assim sendo preparada para serem gestores ACO (Agribusiness Chief Officers).

José Luiz TEJON

TCA International

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