Líderes cooperativistas, a nação precisa de vocês

7 de dezembro de 2021 4 mins. de leitura
Tejon convoca cooperativas para se unirem em prol do Brasil melhor

Por José Luiz Tejon Megido

As cooperativas precisam fazer parte de um plano para mitigação da fome, pobreza, miséria. Pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a partir do modelo cooperativista, em todas as cadeias produtivas do A do abacate ao Z do zebu. E tudo isso com distribuição capilar da renda e da dignidade de vida.

Onde existe uma boa cooperativa bem liderada dentro dos sete princípios essenciais, floresce a prosperidade:

  1. adesão livre;
  2. gestão democrática;
  3. participação econômica;
  4. autonomia e independência;
  5. educação, formação e informação;
  6. intercooperação;
  7. interesse pela comunidade.

Quatro líderes das maiores cooperativas do Brasil participaram do evento “Top Coopers” realizado pela MundoCoop: Dilvo Grolli, Coopavel; Fernando Degobbi, Coopercitrus; Jorge Possato, Veilling Holambra; e Neivor Canton, Aurora Alimentos.

Ambos os líderes concordaram que o governo deveria convocar o setor cooperativista do País para um projeto de mitigação da pobreza e da miséria. No agronegócio, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conta cerca de 3 milhões de pequenos agricultores familiares que representam apenas 4,5% de todo valor bruto da produção agropecuária do país vivendo na miséria rural.

Da mesma forma, o Índice de Perda de Qualidade de Vida (IPQV), no período da pandemia, revelou que as famílias rurais são as que mais perderam qualidade de vida comparada. Por outro lado, dentro do sistema cooperativista, que reúne mais de 1 milhão de famílias agrícolas, o setor responde por cerca de 54% de toda produção agropecuária brasileira. E onde tem uma boa cooperativa, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade é melhor.

Os quatro líderes concordam que o desenvolvimento das áreas de maior pobreza, como Norte e Nordeste, onde existe predominância de pequenas propriedades, será necessário levar educação e cultura do cooperativismo. O sistema já conta com as organizações estaduais e também com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Paulo (Sescoop). A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) realiza um trabalho constante neste sentido também.

Os líderes salientaram ainda a importância da abordagem cooperativista na COP-26, em que o modelo das cooperativas é um arranjo produtivo que já nasce ESG. O biogás e o biometano, por exemplo, são tecnologias acessíveis que precisam receber apoio e investimentos para que as cooperativas fiquem ligadas a esse modelo energético.

Eu tenho um sonho, o de ver uma intercooperação global das cooperativas do mundo atuando reunidas para mitigar o que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) escreve no seu último relatório, revelando cerca de 4 bilhões de seres humanos em risco de segurança alimentar saudável, caso haja decréscimo da renda per capita no planeta. E, além disso, mais de 800 milhões de pessoas na zona da fome.

Com as cooperativas ocorre a velha sabedoria bíblica: “Não dar o peixe e sim ensinar a pescar”. Cooperativas são casas educadoras que educam para a cooperação e para o amor ao trabalho com ciência e tecnologias, onde muitos, bilhões podem prosperar e não apenas poucos e alguns. Quem sabe começar com o Brasil sem fome e depois a América do Sul, registrou Dilvo Grolli, e de forma unânime, todos concordamos.

Prosperidade para todos, como Márcio Lopes da OCB tem enfatizado. E o que é prosperidade? A governança da esperança. Líderes cooperativistas do Brasil, nunca a nação precisou tanto de vocês como a partir deste 2022. Precisamos engajar toda a sociedade brasileira nesse modelo. Não podemos perder tempo. E muito menos perder dignidade humana na terra.

Feliz Natal. Próspero Ano Novo. Só depende de nós: cooperação. 

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