Estadão Summit ESG 2021 revela a realidade esperançosa para o Brasil

30 de junho de 2021 4 mins. de leitura
Confira o artigo de José Luiz Tejon Megido sobre o Estadão Summit ESG 2021.

ESG (Environment, Social, Governance) são três letras que incluem todo o abecedário que nos leva ao futuro. Na palestra de abertura do Estadão Summit ESG, ouvimos o inglês John Elkington, de 71 anos, considerado um dos criadores desse movimento global, que prega agora o capitalismo regenerativo. A síntese de suas palavras é: “A mudança tem de ser do sistema todo”.

Então, ao falarmos de Brasil, cujo complexo de agronegécio, do antes, dentro e pós-porteira das fazendas, impacta diretamente um terço do Produto Interno Bruto (PIB) e, indiretamente, outro tanto com sua demanda derivada industrial, comercial e de serviços: caminharemos obrigatoriamente para o meio ambiente, responsabilidade social e com governança para tudo o que significa alimento, bioenergia, fibras e demais derivados dos campos, águas e mares.

Em paralelo, recebi de Cléber Soares, secretário adjunto de Inovação do Ministério da Agricultura, uma inquietante provocação. Ele me mandou a lista das cem maiores companhias do planeta, e o valor que elas atingem. São gigantescas superpotências.

E para dar uma ideia, a mais valiosa delas, a Apple, vale US$ 2,51 trilhões. Quer dizer, é maior do que todo o PIB do Brasil, hoje na casa de US$ 1,4 trilhão.

Comentávamos que o valor bruto da produção agropecuária brasileira, quer dizer a soma de toda a agricultura e pecuária do País, para 2021, deve atingir o recorde de R$ 1,1 trilhão. Dividido por um dólar na casa dos R$ 5, significa, em dólar, algo como R$ 223 bilhões. Ou seja, a Apple sozinha vale mais do que nove vezes toda a nossa agropecuária. E no campo fora das big techs, uma Coca-Cola vale tanto quanto o valor bruto da produção agropecuária do País.

Dessa provocação incomodante, ao partirmos para um país ESG, um agronegócio total ESG, podemos perguntar então qual seria o valor de uma Amazônia, de um Pantanal, dos nossos biomas protegidos, em paralelo a uma agricultura sustentável, com uma agroindústria estimulada, como já sabemos realizar com integração lavoura pecuária e floresta, e o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC)?

Com certeza, alimentos tropicais, segurança planetária, saúde ambiental, do solo, plantas, animais e seres humanos, olhar o país e o agro brasileiro como ESG representa mudança mental, e busca de agregação de valor exponencial.

A agricultura e a pecuária para o próximo ano não conseguirão sozinhas sustentar a economia do País. A crise hídrica, São Pedro, já derrubou o milho em 16%; a cana vem vindo com 7% a menos; a laranja menos 30%; o café 22% menos com outros menos 18% do algodão, nos informa José Roberto Mendonça de Barros, no Estadão de 27 de junho (para assinantes). Os pastos secos diminuirão a produtividade da pecuária de corte e leite e os custos elevados da ração trazem prejuízos para aves, ovos, suínos e o gado confinado.

Mas é exatamente de um cenário onde precisamos de uma retomada sustentável da economia que um agroconsciente pode construir e extrair valor com inovação, tecnologia, sustentabilidade e educação do mais importante elemento para a vida do planeta, que sempre foi, mas que agora carrega a devida luz do seu significado para a saúde das pessoas e da terra. 

No plano safra, os recursos para o programa ABC dobraram de tamanho. Esse é o nosso destino para valorização do agro. Desmatamento ilegal não interessa ao agro legal e, com certeza, o agronegócio brasileiro não deve funcionar como fachada para as atividades ambientais criminosas ocultar.

ESG, para o País e para o agronegócio. Um não conseguirá sem o outro. A nação inteira precisa se transformar.

Não se trata de otimismo, pois isso é tolo. Nem de pessimismo, pois isso é chato. Fico com o paraibano ariano Suassuna, sou um realista esperançoso.

O Brasil precisa dobrar o agro de tamanho e, como diz a ministra Tereza Cristina, “podemos fazer sem derrubar uma só árvore”. A ciência com a agroindústria comércio e serviços nos acompanhará tendo agora a bioeconomia, as finanças verdes e o novo capitalismo regenerativo. Entramos na era da conjunção E, não mais do ou. Agronegócio, e sustentabilidade, e responsabilidade social, e governança de valor para todos.

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