Mercado de máquinas agrícolas continuará promissor em 2021

14 de janeiro de 2021 5 mins. de leitura
A expectativa da Abimaq é de um faturamento de R$ 45 bilhões, com um aumento de 10% nas vendas nominais

Embaixadores do Agro

Por João Carlos Marchesan*

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Apesar da pandemia da covid-19 que criou dificuldades logísticas e de produção, o setor de máquinas e implementos agrícolas brasileiro não parou em 2020. As vendas devem apresentar um crescimento real de 12% (descontada a inflação) e nominal de 20% – na comparação com o ciclo anterior – e o faturamento estimado é de R$ 40 bilhões. 

Esse cenário deve-se a uma ótima safra agrícola, ao recorde das exportações do agronegócio e a valorização do dólar em 30%, que propiciou uma grande rentabilidade para os agricultores das culturas de exportação: soja, milho, café, algodão, laranja, celulose e carnes. 

Os produtores rurais aproveitaram os preços dos grãos em alta para aumentar a área plantada e investir em máquinas agrícolas, que são determinantes para extrair o melhor da lavoura. Outro ponto que alavancou a comercialização no setor foi a defasagem tecnológica existente no Brasil: 50% do parque industrial tinha mais de 10 anos de uso e precisava ser renovado e modernizado.

Os bons preços das commodities agrícolas em 2020 estimularam a renovação da frota de máquinas

Já as exportações em 2020 foram impactadas negativamente pelo coronavírus, pois as economias dos principais parceiros comerciais, principalmente da América do Sul, não tiveram boa performance. Quanto às importações, houve o aumento de custo de 30% devido à desvalorização do real, o que restringiu a entrada de importados no país no ano passado. 

Para este ano, a perspectiva é de um o mercado de máquinas agrícolas promissor, pois os preços das commodities estão bons, o dólar está num bom patamar e as chuvas voltaram. Então temos a expectativa de ser um ano excelente com relação ao clima e sem falta de crédito com as suplementações que estão sendo feitas pelos bancos particulares e pelo próprio BNDES.  

Além disso, o Brasil se tornou um grande fornecedor de alimentos para o mundo, principalmente para Ásia onde as áreas aráveis para cultivo estão em grande parte tomadas. A população de lá continua a crescer numericamente e, com o aumento de renda, demanda mais alimentos, sendo o Brasil um dos grandes fornecedores desse mercado. 

Baseada nessa conjuntura, a previsão para o próximo ano é de um crescimento real de vendas de 3% (descontada a inflação) e nominal de 10%, chegando a R$ 45 bilhões de faturamento.

Com relação às exportações, acredito que com o fim da pandemia e com o retorno à normalidade deve acontecer uma reação neste ano. Teremos um 2021 mais promissor, caso o governo tome medidas urgentes no sentido de se organizar de forma a permitir o crescimento sustentado da economia, de modo que a reversão da desindustrialização garanta emprego e renda para o cidadão. Para isso são necessárias ações que permitam a isonomia competitiva do setor produtivo, proporcionando ampliação de sua participação no mercado doméstico e internacional.

Para tanto, em 2021 vamos continuar articulando com o governo e lutando pela criação de uma política industrial condizente com a indústria brasileira de bens de capital mecânicos, que é o setor responsável pela difusão tecnológica em toda a cadeia produtiva, e que tem papel preponderante no aumento da produtividade nos setores agrícolas, de serviço e industrial. 

Continuaremos insistindo nas reformas, tributária, administrativa e política. Especialmente a tributária, já que precisamos com urgência de uma reforma que garanta ao sistema tributário nacional simplificado, com justiça e transparência para todos os contribuintes.

Os benefícios desta ação são muitos, mas destacamos: a expressiva melhora do ambiente de negócios do país em razão da redução dos custos relacionados à administração dos tributos e dos litígios; o aumento da segurança jurídica e ampliação da taxa de investimento por conta da redução do custo que ocorrerá nas máquinas e equipamentos ao eliminar a cumulatividade do sistema e garantir o crédito imediato.

Todos esses fatores permitirão o aumento da produtividade, o ganho de competitividade da produção nacional, a expansão dos investimentos, a redução do índice de desemprego e em aumento da renda do país.

Vamos enfrentar 2021 com atitude, positividade, protagonismo e otimismo para levar as demandas que os próximos doze meses nos trará. 

*João Carlos Marchesan é administrador de empresas, empresário e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).

Nota: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.

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