Brasil precisa de planejamento estratégico do agribusiness urgente para salvar o PIB

25 de novembro de 2020 4 mins. de leitura
Tejon analisa os fatos do que é preciso ser feito imediatamente para salvar o PIB nacional

Por José Luiz Tejon Megido*

Todo mundo agora fala de agronegócio. Mesmo quem não sabe o que a palavra significa direito. O sistema de agronegócio brasileiro, fundamentalmente o elo do dentro da porteira produziu, vendeu mais, exportou e a taxa do dólar explodida vai fazer com que possamos superar os R$ 800 bilhões de valor bruto da produção agropecuária. Isso fez com que também a indústria e o comércio do antes das porteiras vendesse mais insumos, inovações, máquinas.

Porém, as corporações que precisam fechar o balanço em dólar não estão amando tanto tudo isso. E no pós-porteira das fazendas, indústria de alimentos, bebidas, têxteis, biocombustíveis, varejo, serviços, transporte e logística, quando voltadas à exportação como todo setor de carnes, por exemplo, contribuem decisivamente para os cerca de US$ 100 bilhões nas exportações, mas todo setor já sofre com a inflação de custos de equipamentos e insumos, bem como o preço da ração para alimentar aves, suínos, peixes e a boiada confinada.

O PIB brasileiro deve cair de US$ 1,8 trilhão em 2019, para US$ 1,4 trilhão em 2020, segundo Ibre/FGV) repercutindo sem dúvida a taxa do dólar. Sairemos do grupo das dez maiores economias do planeta para um possível 12° lugar, superados por Canadá, Coreia do Sul e Rússia.

Com esse PIB e considerando ser o agronegócio 23,5% do PIB do País, o valor em dólar do agribusiness também cairá de US$ 423 bilhões para US$ 329 bilhões. Ou iremos ver que o percentual do agronegócio brasileiro cresceu para algo em torno de 30% de um PIB que perdeu tamanho.

Saídas: planejamento estratégico de todas as cadeias produtivas do a das abelhas e do abacate, ao z do zebu, com ciência e agroindústria. Assumir com o novo governo de Joe Biden, nos Estados Unidos, a retomada da inteligência das discussões sobre meio ambiente e a organização mundial do comércio e afastar definitivamente o cálice tentador das facções políticas e ideológicas do agronegócio.

Afinal, repetindo insistentemente o poeta português Camões que escreveu: “Quem faz o comércio não faz a guerra”, eu acrescentaria: muito menos a estúpida guerra fria e a discussão de briga de rua.

O Brasil pode reinicializar sua economia com um plano público privado estratégico objetivando obrigatoriamente dobrar o agro de tamanho e através dessa capilaridade impactar todas as demais indústrias do país. E, claro, sem esquecer fundos e fontes para a bioeconomia.

Hora de novas lideranças ou das mais sábias que andam caladas, ou mesmo das lúcidas ativas, que pela ignorância de adversários, vivem nas redes sendo fustigadas. Hora de realizar. Juntos. Onde o cooperativismo da mesma forma é essencial. E quando falarmos, que as falas ecoem o sensato e não as trombetas tenebrosas da marcha da insensatez.

O Brasil é maior do que as narrativas. Respeito com o país. Como o sr. Shunji Nishimura, fundador da Jacto, me ensinou aos meus 25 anos de idade: “Palavras, Tejon, são como água. Se revoltas, na enchente, mata pessoas. Se calmas e pacíficas, na medida certa, é bom para as pessoas”.

Muito cuidado com as palavras.

*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da Fecap; membro do Conselho da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e sócio-diretor da Biomarketing.

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