Abras convoca lideranças do País para a agrocidadania

23 de junho de 2021 4 mins. de leitura
Associação Brasileira dos Supermercados reuniu fornecedores para discutir fome, consumo consciente e redução de custos

Embaixadores do Agro

*José Luiz Tejon Megido

No dia 17 de junho de 2021, creio que floresceu a reunião do capital brasileiro com a democracia. Uma cidadania vital para o Brasil. A Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) realizou o 1° Fórum Nacional da Cadeia de Abastecimento.

Convidou e reuniu, se fôssemos colocar os números da importância econômica e financeira, por alto, a maior indústria do País (25% da indústria nacional), alimentos e bebidas, o maior comércio do país, supermercados, com todo valor bruto da produção agropecuária do Brasil, ali representada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Também presente o ex-ministro Alysson Paolinelli.

Nessa conta, já somaríamos cerca de R$ 2,5 trilhões. Ali estavam também os setores financeiros, mercado de capitais, parte das indústrias metal mecânica, siderurgia, química, a logística, a tecnologia voltada a produção de alimentos e energia, os serviços e o Ministro da Economia, Paulo Guedes, com presidentes da iniciativa privada.

Somaríamos tranquilamente mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil diretamente envolvido ali presente, que impactam pesadamente a outra metade por demanda derivada.

O mais genial dessa iniciativa da Abras e do seu presidente, João Galassi, foi incluir a cidadania, como a própria ação contra a fome e a miséria pela vida do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, com seu CEO, o Kiko.

Diversos representantes do capitalismo consciente, da sustentabilidade, da
responsabilidade social, e da governança sob os 17 objetivos do desenvolvimento social da ONU eram vozes soando na mesma altura dos representantes do capital.

Então, metade do PIB, o capital do País, se reuniu aos movimentos da cidadania consciente e assistimos além de uma coalizão multissetorial (essa é a legítima definição de agronegócio, um conceito de cadeias produtivas integradas), vimos a sociedade civil organizada, numa proposta uníssona de ESG, meio ambiente, responsabilidade social e governança, orientadas numa mesma bússola, voltados ao mesmo norte, crescimento econômico, tecnológico, com inclusão social, evolução da renda do povo, valorização e inclusão dos agricultores familiares, além de questões da diversidade e da fome constantes em todas as propostas.

Quais foram os cinco itens de convergência ao final do fórum entre todos?
Ao final, com 45 líderes reunindo as “avenidas Paulista e Faria Lima” com a democracia das questões profundas da cidadania, incluindo também o próprio ministro da cidadania João Roma; todos saíram com um compromisso conjunto de cinco prioridades.

1 – Redução de custos – Ênfase na reforma tributária.

2 – Consumo consciente – Ênfase na economia circular.

3 – Desperdício de alimentos – Conectar o mapa da fome com o mapa do desperdício.

4 – Fome – Todos consideraram que um dos maiores países produtores de alimentos não pode ter fome: criação de bancos de alimentos e a prática best before, revendo a legislação da validade dos alimentos.

5 – Falta de conhecimento – Investimento em capacitação, treinamento, informação e criação da cultura ESG ao longo de todos os elos das cadeias de abastecimento.

Diversos cases foram apresentados e orientados, como JBS, Carrefour, Ambev, BRF, Coca-Cola, KPMG, entre outros. E, ao fim desse marcante encontro, as palavras do presidente da Abras, João Galassi, foram: “Temos uma longa jornada pela frente, mas saímos hoje mais fortes e unidos com a coalizão multissetorial numa posição coletiva”.

A ministra Tereza Cristina gostou tanto que já marcou agenda para voltar ao assunto num prazo máximo  de 15 dias. Nunca ouvi falar tanto de agricultura familiar, logo de cooperativismo, e da qualidade do consumo popular, saudável e assegurado para todos, como neste fórum.

Essas cinco prioridades acessarão todas as demais, infraestrutura, logística, seguro, irrigação, armazenagem, educação, digitalização, e sem dúvida planejamento estratégico das cadeias produtivas voltadas ao mercado interno e a exportação. Que se perpetue. E que se governe.

*José Luiz Tejon Megido é colunista do Jornal Eldorado, doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da Fecap; membro do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) e do Conselho Científico do Agro Sustentável (CCAS) e sócio-diretor da Biomarketing

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