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Células-tronco estão sendo usadas para tratamento de doenças em cavalos

Fraturas graves e a temível bambeira estão sendo tratadas com técnica envolvendo células-tronco

Células-tronco estão sendo usadas para tratamento de doenças em cavalos
11/04/2020 • 3 min. de leitura

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O uso de células-tronco já se mostrou promissor no tratamento de doenças e condições prejudiciais ao ser humano. As técnicas desenvolvidas podem curar ou regenerar ossos, nervos e até mesmo órgãos complexos, como o coração. Porém, não será apenas o homem que poderá desfrutar dos benefícios do uso das células-tronco. Cientistas estão fazendo estudos avançados para entender como esse material pode ser usado para tratar doenças em cavalos, procedimento que já tem se mostrado efetivo em alguns casos.

Muito presentes em esportes de alta performance, os cavalos sofrem muito por conta de condições como osteoartrite, tendinite e lesões ósseas ou musculares. Outro problema grave é a mieloencefalite protozoária equina (EPM), mais conhecida como bambeira, doença neurológica que faz com que o animal perca a estabilidade ao caminhar.

Hoje, o uso de remédios e terapias para solucionar ou amenizar esse males pode demorar vários meses ou anos para mostrar resultados. A aplicação de células-tronco em cavalos tem se mostrado promissora, e resultados preliminares indicaram o retorno dos animais às pistas em apenas 180 dias, com recuperação completa.

Células-tronco no tratamento de cavalos

Uso de células-tronco para tratamento de doenças em cavalos.
(Fonte: Shutterstock)

As células-tronco são um tipo célula nova, presente em recém-nascidos e algumas partes de adultos, como a medula óssea. Nessa etapa, a célula ainda não ganhou uma missão específica, podendo se transformar, por exemplo, em massa celular de ossos, músculos e órgãos. Essa característica faz com que as células-tronco possam ser usadas em tratamentos de reconstrução de tecidos em qualquer parte do organismo, substituindo regiões lesionadas.

No tratamento dos cavalos, as amostras podem ser retiradas da gordura acumulada na garupa, abaixo da pele, ou da medula óssea (tutano). Em laboratório, essas partículas são separadas das comuns e multiplicadas, podendo gerar milhões de células desse tipo, conservadas em temperaturas baixíssimas.

Como funciona o tratamento?

O tratamento é promissor, mas ainda não é regulamentado.
(Fonte: Shutterstock)

Embora pareça novidade, esse tipo de tratamento já é realizado no País há mais de dez anos. A técnica tem com diferencial o fato de não gerar efeitos colaterais e ter rápida efetividade. De acordo com Nance Nardi, bióloga e doutora em Imunologia, o tratamento é desconhecido por muitos donos de animais e tem como vantagens o baixo custo e os altos índices de êxito depois de aplicadas as primeiras doses. “O tratamento celular pode resultar na cura total do animal, permitindo não apenas o alívio da dor, mas a volta da capacidade funcional integral”, diz a especialista.

O tratamento com células-tronco consiste na aplicação do material nas áreas sensíveis, no caso de fraturas ou lesões. A terapia celular age de maneira a regenerar o tecido cartilaginoso, para recuperar a lesão e dar ao animal a possibilidade de seguir com suas atividades normais, como antes do trauma. No caso da bambeira, as células-tronco são inseridas na medula espinhal e agem recriando as estruturas neurológicas comprometidas.

Até o momento, os resultados são promissores, e há diversos casos de cura. Um exemplo é Barak, da raça Puro Sangue Inglês, que competia no hipismo e, por conta de uma tendinite aguda, com rompimento parcial de um dos tendões, teve que parar de disputar provas. Com injeções de células-tronco coletadas do próprio tecido adiposo da região lombar, o cavalo se recuperou totalmente em apenas 180 dias. “A terapia com células-tronco é também um tratamento sem riscos, que, quanto mais for divulgado e entendido pela população, mais será adotado pelos donos dos animais”, afirmou Nance.

Vale ressaltar que embora seja positivo, o uso dessa terapia, em animais ainda está sendo regulamentado. A injeção de células-tronco já é permitida, mas é preciso definir protocolos e, principalmente, mais pesquisa para entender a eficácia do tratamento para cada uma das doenças.

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Fonte: Rural Pecuária