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Cacau no Brasil: País planeja voltar a dominar mercado mundial

Com o objetivo de voltar a ser o maior produtor mundial de cacau, comissão aprova medidas de incentivo ao setor

Cacau no Brasil: País planeja voltar a dominar mercado mundial
07/04/2020 • 3 min. de leitura

Com produção de cerca de 4 milhões de toneladas anuais e movimentação de US$ 12 bilhões, a indústria do cacau é responsável por empregar mais de 6 milhões de agricultores em todo o mundo. No Brasil, com foco em fortalecer ainda mais a cultura e liderar os rankings mundiais, os pequenos agricultores têm se juntado para otimizar o cultivo e elevar a produtividade.

A plantação nacional de cacau é liderada pelo Pará e usa, principalmente, sistemas agroflorestais. A Bahia, que estava no topo desse pódio até 2017, também atua como protagonista no setor. Nos últimos cinco anos, calcula-se que a produção cacaueira teve crescimento de 25% no Brasil, totalizando cerca de 193 mil hectares plantados.

Bahia e Pará são os estados que dominam produção de cacau no Brasil.
(Fonte: Pixabay)

A união dos pequenos produtores

De acordo com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a estimativa de expansão do setor para os próximos três anos é de 14% no Pará, com acréscimo aproximado de 30 mil hectares plantados. Atualmente, o fruto é responsável por movimentar cerca de R$ 1 bilhão por ano somente no estado.

Enquanto na Bahia o cacau é cultivado em propriedades de grande porte, no Pará o fruto é majoritariamente tratado por pequenos produtores. Prova disso está no fato de mais de 90% do cacau colhido virem da agricultura familiar. Sendo assim, a falta de assistência técnica para alinhar as melhores soluções de manejo e tratos culturais é um dos fatores que retardam a explosão do setor no mundo.

Para superar a falta de assistência e de incentivo financeiro, os agricultores têm apostado no cooperativismo, criando soluções de abertura de novos mercados, como a venda de chocolates de fabricação própria. Além disso, o cultivo do cacau orgânico tem sido o objetivo de muitos produtores da região, que buscam conquistar o mercado europeu e os demais consumidores que procuram uma forma alternativa, orgânica e sustentável de se alimentar.

As condições climáticas no Brasil favorecem o cultivo do cacau orgânico.
(Fonte: Unsplash)

Novas medidas de incentivo ao setor cacaueiro

O governo também tem voltado os olhos para o mercado do cacau no Brasil e reconhecido a necessidade de maior apoio e medidas incentivadoras para os produtores. Em fevereiro de 2020, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) aprovou um projeto que visa à recuperação do setor. Entre as medidas, está previsto maior investimento em pesquisas que favoreçam a produção, melhorando aspectos de produtividade e qualidade do fruto. Ações para incentivar o consumo de chocolate no País, com a introdução do alimento nas merendas escolares, por exemplo, estão no planejamento.

Com alterações significativas no que já estava previsto em lei, a nova publicação garante maior autonomia para a Ceplac. De acordo com o autor do projeto, o Senador Ângelo Coronel, "o objetivo é estimular e fomentar a produção do cacau na Bahia e demais estados", focando principalmente a alta qualidade.

O projeto seguirá para a câmara dos deputados caso não haja nenhum tipo de recurso na votação do plenário. Se aprovado, a Ceplac estará ligada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo responsável pela criação e execução do Planejamento Estratégico Quinquenal do Cacau.

Outras ações previstas estrategicamente no projeto incluem ampliação de investimentos, procura e abertura de novos mercados, participação ativa em feiras e divulgação de peso no País e no exterior. Além disso, a Ceplac deverá incentivar a ampliação do uso do cacau não só na indústria alimentícia mas também na farmacêutica, bioquímica e cosmética.

Em busca do topo

No passado, o Brasil ocupava a segunda posição no ranking global de produção de cacau. Após uma crise ocasionada pela junção da doença vassoura de bruxa e de fatores climáticos, a produção caiu cerca de 400 mil toneladas.

Atualmente, o País se encontra na sétima posição, mas com potencial de se tornar novamente um dos maiores produtores de cacau do mundo. A união das medidas governamentais e do cooperativismo dos produtores está projetando um cenário forte e positivo para as próximas safras, aquecendo novamente os estados líderes, Bahia e Pará.

Fonte: Senado, Agência Pará