O exemplo holandês

20 de janeiro de 2021 4 mins. de leitura
A Holanda tem o tamanho do Espírito Santo, mas as exportações do seu agronegócio alcançaram a cifra de US$ 111 bilhões, quase US$ 10 bilhões a mais que o Brasil

Por José Luiz Tejon Megido*

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Em meio à crise causada pela pandemia do coronavírus, o que temos de oportunidades no Brasil? O agronegócio. O setor esbanja tecnologia, produtividade, tem acesso aos mercados internacionais e promoveu um grande feito: transformou o país de importador de comida num dos cinco maiores exportadores de alimentos do mundo.
 
E as conquistas não param. A expectativa para 2021 é de uma nova supersafra de grãos este ano, o que continuará sustentando a pauta de exportações brasileiras. Mas isso não basta. Para os próximos 10 anos temos outra etapa do agronegócio brasileiro para desenvolver, da mesma forma como desenvolvemos a etapa até aqui, o que permitiu ao agro brasileiro exportar mais de US$ 100 bilhões de dólares e ser a boia salva-vidas da economia nacional.

No entanto, trago à tona uma reflexão sobre a Holanda, um país do tamanho do estado do Espírito Santo, que pode nos causar incômodos, daqueles bons, que impulsionam o progresso. As exportações do agronegócio holandês são de US$ 111 bilhões, quase US$ 10 bilhões a mais do que o Brasil. Isso nos motiva a olhar o potencial brasileiro de diversos segmentos: lácteos, bioenergia, agrofármacos, hortaliças, legumes, flores e fruticultura tropical.

A mobilização e união dos holandeses podem nos servir de exemplo. Basta observar a colonização holandesa nos Campos Gerais do Paraná, com as cooperativas Frisia, Castrolanda e Capal. E não podemos deixar de fora a cidade de Holambra, no interior paulista, que abriga a 4ª maior cooperativa exportadora de flores do mundo.

O Brasil para crescer precisa dobrar o tamanho do seu agronegócio. Trazer mais biossoluções, mais indústria, mais comércio, mais agroindústria e muito mais gastronomia e turismo agroecológico, além de desenvolver a bioeconomia em seus biomas.

A Holanda nos inspira com uma logística extraordinária e o porto de Rotterdam por onde entram os produtos brasileiros para serem reexportados para outros países. Eles também investem em inovação, educação, têm uma sociedade civil organizada e são um ótimo exemplo de cooperativismo.

Recentemente, o país mostrou o poder do seu povo perante um escândalo em que autoridades fiscais holandesas acusaram, erroneamente, famílias de fraude em subsídios de creches. Centenas famílias injustiçadas se uniram e formaram um grupo, que moveu um processo contra os políticos envolvidos, o que que levou o governo do primeiro ministro holandês a pedir demissão. Ou seja, lá funciona a máxima: a legalidade acima das incompetências.

Se o agronegócio brasileiro abraçar o Brasil com legalidade, se a liderança da sociedade civil organizada utilizar os conhecimentos da Agricultura de Baixo Carbono (ABC), agrofloresta e uma política agroindustrial e comercial, que facilite a logística, a legalidade, a sustentabilidade e o diálogo da paz, iremos abraçar o mundo inteiro. Planejamento estratégico: esta é a fórmula para o Brasil dobrar o PIB agro E. A Holanda é uma inspiração para todas regiões do país, sejam elas micros, médias ou grandes.

*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação pela UDE – Uruguay; mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP); sócio-diretor da Biomarketing e membro do Conselho Científico do Agro Sustentável (CCAS) e do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Nota: Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Estadão.

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