Nem direita nem esquerda nem centro; o agro precisa é de bom senso

21 de julho de 2020 5 mins. de leitura
Fora da polarização política, o agronegócio deve ser visto como oportunidade para investimentos, analisa Tejon
 

Por José Luiz Tejon Megido*

2020 marca o fim do século 20. 2021 é o início do século 21.

Nenhuma página vira totalmente de um ano para o outro, nem de um século para o outro. O que fica intolerável passa a ser imaginar uma cadeia produtiva liderada por visões do século passado, quando o insuportável não se suporta mais. Dessa forma, só vai pra frente agora quem tirar o pé do que ficou pra trás.

O novo agronegócio é doravante um sistema de saúde, desde sua concepção no design da genética, máquinas e bioinsumos, cruzando por utilização da ciência nas mãos de produtoras e produtores com não mais a alquimia do tão somente feeling humano, mas com sua ampliação exponencial das inovações da utilização digital. Máquina nenhuma nem inteligência artificial substituirá a imaginação humana, porém a tornará extraordinariamente mais afinada, podendo ler, ver, ouvir e sentir o infinito que existe entre o zero e o um. Da mesma forma como um compositor ausculta os infinitos acordes entre um lá maior e um ré menor.

O novo agro não aceita temas que já foram enterrados no século passado. A ideologia que ficou estúpida, o preconceito de raças, a ignorância do valor ambiental, o negacionismo de uma bolota frágil que se desloca junto com sua galáxia via láctea a cerca de 630 km por segundo… rumo ao infinito, e talvez rumo a um silencioso gigantesco encontro de sua irmã Andrômeda. E que enquanto isso seria nossa missão a reunião indissolúvel de toda humanidade para a preservação desta nossa espécie, mais cedo ou mais tarde.

O novo agro como um sistema de saúde, precisará ser administrado como um complexo onde cada elo da corrente se não for cuidado e protegido, ao se romper romperá o que lhe segue e o que o antecede. O elo mais frágil? Claro milhões de agricultores esparramados pelo mundo, precisam de proteção para não viverem de curto prazo nem de ilusão. Assim como bilhões de consumidores orientados contra o desperdício e a desnutrição mesmo com abundância na mesa. Cabe a cada cadeia produtiva cuidar dos seus membros. Todos eles.

Capitalismo consciente, intolerável fome e miséria, ou comida má originada e preparada; cooperativismo, consumo consciente, empreendedorismo para todos, agronegócio inteligente. Luta para exterminar a desigualdade inaceitável. O conhecimento tropical brasileiro vale ouro nesse mundo novo. Podemos fornecer serviços, inteligência, o saber da produção de alimentos, energia, fibras e construção de um sistema agroindustrial a partir do cinturão tropical do planeta terra. Temos ciência para dar e vender. A vara para pescar além do peixe já pescado, embalado e pré preparado. Ambas são ótimas ideias. Brasil o único país do mundo que tem nome de árvore. Que “brand” maravilhoso.

O novo agronegócio é o que já está aqui, pronto para se transformar na total maioria desse macro setor econômico e social do país e do mundo.

Ignorar a gestão do novo agronegócio, um “health system”, é deixar-se hipnotizar por ideias já mortas dos séculos anteriores. Não nos debruçarmos imediatamente num planejamento estratégico do a do abacate ao z do zebu é perder tempo, e horas úteis de vida. O norte do país passa pelo rumo do complexo agro produtor, ambiental, empresarial, com serviços, logística e educação nutricional.

Precisaremos dobrar o agronacional nos próximos 10 anos, incluindo as atividades do antes, dentro e pós-porteira das fazendas. Iremos ao século 21 em cima do futuro e nunca embaixo de um passado que pode nos inspirar apenas com o saber histórico dos erros e acertos antigos. O passado é rico por meia dúzia de valores imutáveis. Porém não serve ao futuro caso desconheça o que muda todo dia, versus aquilo que jamais muda, e é assustador para a jornada humana na terra quando os misturamos e os confundimos a partir de lideranças turvas e hipnotizadas pela ignorância.

O século 21 já começou a começar. Gestão dos biomas, gestão dos micro biomas, água, sustentabilidade, responsabilidade social, servir a todos os clientes dentro dos modelos da nova governança sustentável… não tem jeito. Fora disso somente sendo ilegal. E se não for legal não entra no suplychain das cadeias corporativas e muito menos na comida a quilo do meu bar preferido aqui na minha esquina.

A minha esquina agora, não é só do meu bairro ou vila, virou esquina do mundo onde minha saúde está conectada aonde tudo isso se origina…

“Mamãe não quero ser perfeito pode ser que seja eleito.” Assim escreveu Raul Seixas em “Cowboy fora da lei”. Sociedade civil organizada assuma as rédeas da mudança do século. Governo, menos, muito menos… cada vez mais um capaz apoiador, um facilitador do futuro. Esquece esquerda, direita ou centro. Se não tiver competência e bom senso, humanismo, humildade e bom humor, não vamos pra frente. Brasil não duvide do seu destino. Forças criadoras do agronegócio assumam o comando, seja este, outro, aquele ou qualquer “governo”. Agronegócio é questão de estado e cidadania “agricitizenship”. Bem-vindo século 21.

*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da FECAP; membro do Conselho da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e sócio-diretor da Biomarketing

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