Agronegócio: o óbvio está na cara

5 de outubro de 2020 3 mins. de leitura
Tejon analisa o momento e afirma que existem três obviedades no agronegócio hoje

Por José Luiz Tejon Megido*

Quando o óbvio não vira realidade, a consequência leva à insanidade. Sobre isso, a jornalista Bárbara Tuchman deixou um livro fundamental chamado “A Marcha da Insensatez”, e começa em Troia, quando o óbvio era não colocar o presente de grego, o cavalo oco, pra dentro de Troia. Mas o óbvio não prevaleceu e todo mundo sabe o que aconteceu…

Temos três obviedades no agronegócio:

Óbvio número 1 – agronegócio sem sustentabilidade vira só agro, não tem negócio. Não adianta reclamar, espernear e politizar. Agro e sustentabilidade é uma coisa só e tem muita gente fazendo. Como em balsas no Maranhão, foi criado agora o corredor da soja responsável até o porto de Itaqui, apenas um exemplo do óbvio.

Óbvio número 2 – agronegócio sempre foi uma administração da cadeia produtiva, desde o consumidor e as percepções da sua mente, até o geneticista que cria a semente com produtores, agroindústrias, comércio e serviços reunidos. Logo, sem organização das cadeias produtivas agronegócio é só agro, não tem agregação de valor no negócio.

(Fonte: Pixabay)

E o óbvio número 3 – crescimento do país. O agronegócio é um legado brasileiro dos últimos 50 anos. E significa a única possibilidade de crescimento sustentável do Brasil para buscarmos um produto interno bruto, digno, em torno de US$ 4 trilhões, nesta década. E isso exige um planejamento estratégico nacional do a do abacate ao u da uva ou z do zebu, para dobrar o agro de tamanho e impactar todo PIB brasileiro, sem planejamento estratégico do agronegócio não teremos nem agro, nem negócio e nem PIB.

O óbvio está na cara. Fazer o óbvio exige vergonha na cara. O elo mais frágil do sistema são os agricultores, sem duvida. Milhões e espalhados. Por isso, devem ser preservados sob um ético “fair trade”, cooperativismo e recebimentos por uma originação de total compromisso com a saúde em todos os sentidos. É justo.

Lideranças, deixem os egos em casa por que o Brasil só precisa do óbvio, bem feito e já.

*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da FECAP; membro do Conselho da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e sócio-diretor da Biomarketing

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