2% das propriedades agrícolas no cerrado e Amazônia fazem 62% do desmate ilegal

17 de julho de 2020 3 mins. de leitura
Estudo publicado na revista ‘Science’ revela que  o agro brasileiro está em risco por conta de uma minoria, explica Tejon

Por José Luiz Tejon Megido*

O professor Raoni Rajao, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), ao lado de outros 11 pesquisadores brasileiros e internacionais e por meio de um software criado especialmente para essa análise, concluíram e publicaram na revista Science que “poucas maçãs podres prejudicam todo agronegócio brasileiro”.

Ele me disse ter apresentado o estudo para diversas entidades, antes da publicação, com o intuito positivo de apontar que são poucos, pouquíssimos, os responsáveis pela imagem negativa que reverbera sobre o Brasil. Esse percentual de 2% está perfeitamente identificado e pode ser o alvo objetivo do ataque contra a ilegalidade.

“Temos no Brasil uma discussão de nos contra nós mesmos, e infelizmente 98% fica em risco por causa de uma minoria”, afirma Rajao, especialista em sustentabilidade da UFMG.

Sobre os outros 38% são pequenos imóveis que concentram os outros 8% que desmataram ilegalmente, ou seja, 90% das propriedades não desmataram, ou desmatou respeitando os limites da legislação. Sem dúvida que uma punição pela lei contra o crime aos maiores 2% serviria para “amainar“ o ímpeto de alguns oportunistas que vão na onda do ilegal.

Combate ao crime, ao ilegal, 2%, são os destruidores. Os outros, os legais, não devem pagar o preço – pelo que não fazem…

O silêncio dos bons permite o eco estrondoso e mortal dos malévolos maus… Pecuária legal, agricultura legal é o único caminho… Somos a maioria 98%. Vamos punir os 2% ilegais e vamos gritar ao mundo todo que somos sustentáveis, que o nosso agro é legal. O Brasil é um patrimônio para o mundo, aqui do nosso cinturão tropical.

Os estudos que se somam não são muito diferentes do aprendizado na vida, na luta entre as forças entrópicas versus as sintrópicas. Ou seja, entre destruidores versus criadores. O mal se reúne facilmente ao natural e sempre significam percentuais como os revelados nesse estudo. E o bem se espraia e não se organiza. Dessa forma onde o mal prevalece a responsabilidade é dos bons que se omitem e criam o ambiente onde o bem existe, mas padece.

Hora de código de ética, autorregulamentação e união das entidades e associações da sociedade civil organizada ao lado do governo. E vamos parar de brigar entre nós mesmos. Pega os 2%. Será um grande começo.

*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da FECAP; membro do Conselho da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e sócio-diretor da Biomarketing

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