Crédito rural: cobertura do Summit Agronegócio 2022 tratou sobre o cenário de recursos - Summit Agro

Crédito rural: cobertura do Summit Agronegócio 2022 tratou sobre o cenário de recursos

21 de novembro de 2022 11 mins. de leitura

O Summit Agronegócio 2022, realizado pelo Estadão, aconteceu nos dias 07, 08 e 09 de novembro. Acesse a matéria completa para saber mais.

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Summit/Nagro/Alves: Haverá desafio do pequeno e médio produtor de atender exigência do investidor externo

Por Isadora Duarte e Tânia Rabello

São Paulo, 07/11/2022 – Para acessar fontes de recursos maiores, com menor custo e até mesmo estrangeiras, pequenos e médios produtores terão desafio de atender a exigência dos investidores externos, segundo o CEO e cofundador da agfintech Nagro Crédito Agro, Gustavo Alves. “Acessar um bolso maior e com custo menor vão vai demandar só dados, mas profissionalização do produtor rural. Estamos atacando o ponto certo de levar e assegurar informações, mas demandará também profissionalização”, afirmou Alves, durante o Summit Agronegócio Brasil 2022 “Desafios à frente”, promovido pelo Estadão, que começou hoje e se estende até quarta-feira (9).

Segundo Alvez, o pequeno produtor tem acesso restrito a outros instrumentos de crédito, como os títulos agrícolas, fora os convencionais de crédito subsidiado, porque há assimetria de informações quanto à produção sua produção, o que dificulta o acesso deles a diferentes fontes. “O investidor da Faria Lima não quer receio quanto ao produtor se é de uma área embargada ou há desmatamento. Quando conseguimos assegurar informação, aumentamos o acesso dos players nacionais a essas ferramentas”, afirmou. 

Summit/Traive/Pezente: Bancos e fundos locais ainda serão dominantes no crédito rural

Por Isadora Duarte e Tânia Rabello

São Paulo, 07/11/2022 – Embora muito se fale de novas emissões de capital externo para o financiamento do agronegócio brasileiro, os bancos e fundos locais ainda serão dominantes no crédito rural, avalia o cofundador e CEO da agfintech Traive, Fabricio Pezente. “No momento, emissões recentes em dólar são pequenas para demanda do setor . Recentemente, vimos uma de US$ 11 milhões e se fala em novas operações que veremos em breve, de até US$ 100 milhões. É bastante dinheiro, mas pouco perto dos muitos bilhões que o agro precisa. O discurso de que há capital externo disponível e interessado está mais alinhado com a realidade, mas os bancos locais ainda serão dominantes”, afirmou Pezente, durante o Summit Agronegócio Brasil 2022 “Desafios à frente”, promovido pelo Estadão, que começou hoje e se estende até quarta-feira (9).

Na avaliação dele, bancos e fundos locais têm aumentado o interesse no financiamento do agro que também atrai agentes externos, mas ainda há necessidade de aumentar a oferta de crédito rural para redução dos juros. “Acho que dinheiro externo tende a fluir mais para o Brasil sem barulhos externos sobre o agro e suas práticas ambientais, depois de explicarmos como o produtor brasileiro atua. Acredito que o novo governo pode ajudar sem grandes barulhos internacionais sobre isso. Trazer mais oferta de crédito e dinheiro externo dinheiro ajuda na redução do custo do dinheiro. Precisamos ter maior competição de crédito rural para o custo diminuir na ponta para o agricultor”, afirmou. 

Summit/Agrolend/André Glezer: Fintechs oferecem crédito rápido em ano de escassez de recursos

Por Vinicius Galera, especial para a Agência Estado

São Paulo, 07/11/2022 – A inflação deste ano teve forte impacto nos custos dos insumos agropecuários. Com isso, a demanda por crédito agrícola explodiu. Hoje, de acordo com o CEO da Agrolend, André Glezer, a procura por crédito rural está muito maior do que a empresa é capaz de atender. “Em um ano como este, com inflação brutal no custo dos insumos, a demanda é muito grande, maior do que no Plano Safra. Nós aconselhamos os produtores a tomarem o máximo oferecido pelo Plano Safra e que tomem o excesso com a gente”, disse, durante sua participação no painel de tecnologia do Summit Agronegócio Brasil 2022, que começou nesta segunda-feira (7) e prossegue até quarta-feira (9), com promoção do jornal O Estado de S. Paulo.

A Agrolend atua para resolver o problema da escassez de crédito rural disponível no mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que reduz a burocracia para a tomada do dinheiro. Glezer explicou que, hoje, a empresa tem cerca de mil clientes produtores em todo o Brasil.

“Normalmente leva-se muito tempo para o produtor tomar o crédito. Nosso sistema permite a tomada com muita rapidez e eficiência, pois fazemos toda a transação via whatsapp, que é onde o produtor está”, disse o executivo. Segundo ele, a ideia é levar não apenas conveniência, mas também custo competitivo para praticamente todas as atividades agropecuárias, da produção de grãos, passando pelo café, cana, trigo, amendoim e criação de gado de corte e de leite, além de granjas.

A Agrolend realiza empréstimos a partir de R$ 20 mil até R$ 700 mil. O processo é todo digital e automático. Segundo o executivo, eles trabalham em parceria com uma rede de cerca de cem lojas agropecuárias, que oferecem o crédito aos produtores credenciados. Depois de manifestado o interesse, o produtor fornece o CPF para avaliação. Aprovado, o crédito é disponibilizado por meio da própria loja e o produtor só paga no fim da safra.

Atualmente, a Agrolend está em processo de transformação junto ao Banco Central para se transformar em uma financeira, o que permitirá à empresa fazer emissão de letras de crédito no varejo. “Esperamos com isso montar uma carteira acima de R$ 1 bilhão. Com a entrada dos consumidores, poderemos oferecer ainda mais crédito aos produtores”, diz Glezer.

Summit/Gávea Marketplace/Vítor Nunes: Plataformas transacionais serão futuro da comercialização no agro

Por Vinicius Galera, especial para a Agência Estado

São Paulo, 07/11/2022 – As plataformas transacionais digitais serão o futuro da comercialização de produtos no agronegócio, de acordo com o fundador e CEO da Gavea Marketplace, Vítor Uchôa Nunes. Durante um painel de tecnologia no Summit Agronegócio Brasil 2022, ele afirmou que esses modelos dão mais segurança para os negócios, ao mesmo tempo em que reduzem os custos das operações para os produtores.

A Gavea é uma bolsa de comercialização de produtos que utiliza tecnologia blockchain na chamada tokenização de ativos físicos em digitais. Traduzindo para o universo rural, é uma maneira de pensar os produtos agrícolas, como soja e milho, por exemplo, como ativos negociados em uma plataforma transacional digital.

A empresa opera em duas frentes: o mercado aberto, sem custo nenhum para nenhuma das pontas da cadeia, e o mercado fechado, em que as empresas criam o próprio marketplace também em blockchain e onde podem negociar diretamente com produtores e consumidores. Segundo Nunes, ambos os modelos permitem a rastreabilidade total na origem dos produtos.

“Com a evolução da sociedade e da infraestrutura, a digitalização entra como forma de reduzir custo e melhorar a vida de todos”, disse. A Gavea realiza operações de soja e milho, além de insumos produtivos. Segundo Nunes, as alterações nas legislações internacionais, como a europeia, vão demandar cada vez mais produtos rastreáveis. “Nós aplicamos governança socioambiental no nosso negócio, o que previne a origem ambiental e social do produto. O consumidor tem a possibilidade de saber exatamente em qual propriedade seu produto foi produzido.”

Summit/Alves: Nagro trabalha com visão de complementaridade ao crédito rural

Por Tânia Rabello e Isadora Duarte

São Paulo, 07/11/2022 – A Nagro, fintech do setor de crédito rural, trabalha com “complementaridade ao crédito rural, em parceria e sinergia com bancos e outras instituições de financiamento agrícola”, disse há pouco o CEO e cofundador da Nagro Crédito Agro, Gustavo Alves, em painel no Summit Agronegócio 2022, promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo Alves, a Nagro trabalha muito com “originação” de recursos, ou seja, captar o dinheiro entre os mais diversos tipos de investidores interessados em aplicar no agronegócio e, então, transformá-lo em títulos do agronegócio, como CRAs, FDICs e Fiagros. “Criamos uma capacidade, por meio de dados, de fazer operações em escala (de captação de recursos) e também ceder essas operações a instituições financeiras interessadas”, continuou ele, acrescentando que pode trabalhar, por exemplo, em parceria com o Bradesco ou algum outro fundo parceiro.

“Nós, como plataforma, trabalhamos uma forma de complementar o crédito do produtor rural que não consegue tudo das linhas tradicionais de crédito”, continuou. Para Alves, originar recursos e trabalhar com parceiros faz a sua empresa “crescer de uma forma muito mais rápida do que simplesmente fazer novas emissões de CRAs, por exemplo, a cada dois a três meses”, disse. “Assim, quando você traz um ambiente mais sinérgico, contando com outras estruturas, consegue trazer alternativas diferentes para o produtor”, continua. “Assim, a Nagro já atua com essa sinergia para conectar players que tenham interesse em conectar operações no agronegócio.”

Summit/Bradesco/França: Bancos grandes carregam crédito; fintechs podem originá-lo

Por Isadora Duarte e Tânia Rabello

São Paulo, 07/11/2022 – O diretor de Agronegócio do Bradesco, Roberto França, vê complementaridade na atuação de agfintechs e de grandes bancos no financiamento ao agronegócio. “O que diferencia os bancos grandes das fintechs é o balanço robusto. Os bancos grandes carregam o crédito. As fintechs podem originar crédito e bancos carregá-lo”, disse França, durante o Summit Agronegócio Brasil 2022 “Desafios à frente”, promovido pelo Estadão, que começou hoje e se estende até quarta-feira (9).

Ele disse acreditar que os grandes bancos irão se conectar, “mais para frente”, com as fintechs e demais negócios que contribuem para o financiamento. “Nós lançaremos uma plataforma de interação com fintechs para originação de crédito. Nós bancos vamos além do financiamento puro, atuamos também no auxílio ao produtor, e também pretendemos ser agfintech com CPR e ajuda complementar para crédito. A odeia de carregar crédito não é bem o que as fitnechs querem, pois elas querem originar crédito e fazer a jornada digital. Então, a originação do crédito pode vir das fintechs e o banco carregá-lo”, afirmou. A plataforma deve será lançada no primeiro trimestre de 2022.

Summit/Bradesco/França: Qualquer fonte de recurso adicional é importante para setor que cresce ano a ano

Por Isadora Duarte e Tânia Rabello

São Paulo, 07/11/2022 – O diretor de Agronegócio do Bradesco, Roberto França, avalia que, com a demanda crescente do agronegócio por recursos para financiamento em meio ao crescimento ano a ano do setor, qualquer fonte de recurso adicional é importante para o setor, em referência aos títulos agrícolas e instrumentos ofertados por agfintechs. “Qualquer fonte de recurso é importante para um agro que cresce. A demanda por crédito, seja dos direcionados e regulados pelo Plano Safra ou outras, é importante para financiar essa cadeia produtiva que a cada ano cresce”, disse França, durante o Summit Agronegócio Brasil 2022 “Desafios à frente”, promovido pelo Estadão, que começou hoje e se estende até quarta-feira (9).

Ele observou que fontes alternativas de crédito, que venham por agtechs ou por instrumentos de títulos do agro mais estruturados como Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), são para recursos que vão para outros financiadores. “São investidores que querem financiar o agro e procuram esses títulos para poder financiar e trazer um pouco mais de retorno pra carteira”, acrescentou.

França lembrou que os bancos, sejam privados, públicos ou cooperativas de crédito, têm por obrigatoriedade aplicar 25% dos depósitos à vista, que são os recursos direcionados, no crédito rural subsidiado. “O Bradesco tem depósito à vista, em média, de R$ 50 bilhões por ano. Somos obrigados a aplicar 25% desses recursos para financiar pequenos médios e grandes produtores a taxas de juros controladas”, afirmou.

Fora os recursos obrigatórios, os bancos destinam ainda recursos livres para o financiamento do setor, acrescentou França. “O grande volume de produção exige mais recursos do que a da parte direcionada e produtor vem procurando fonte complementar de crédito. Os bancos privados e públicos aplicam fontes própria de recursos, muitas vezes por meio da de captação da LCA, que gera fonte para atender demandas complementares dos nossos produtores”, apontou. Segundo França, os bancos ligados à Febraban possuem carteira de crédito rural de cerca de R$ 550 bilhões. O Bradesco contribui com o equivalente a 10% desse montante, em torno de R$ 50 bilhões anuais para o financiamento direto do produtor e da cadeia agro.

Assista ao Summit Agronegócio 2022 agora no link https://www.youtube.com/watch?v=g-LHhmJlMEY Contatos: tania.rabello@estadao.com e isadora.duarte@estadao.com

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