Família agrícola e árvore, os dois maiores símbolos para o agronegócio brasileiro

1 de novembro de 2020 3 mins. de leitura
Tejon avalia que é hora de o agronegócio brasileiro se comunicar com o mundo

Por José Luiz Tejon Megido*

Está na hora de nos comunicarmos com o mundo todo. Estamos apanhando na incompetência da comunicação.

Todos já sabem muito bem que a palavra agronegócio, tradução de
agrobusiness, criada em Harvard, nos Estados Unidos, na década de 1950,
quer dizer um sistema de atividades interligadas vindo desde o consumidor
final e o que passa pela sua mente, até o geneticista que melhora a semente. E nesse sistema tem a indústria, o comércio, o serviço e, lógico, os produtores rurais.

Os produtores rurais são o elo mais frágil do sistema. Por quê? Óbvio. Além de serem aqueles que produzem alimentos, fibras, energia, são os guardiões do meio ambiente. E mais: são milhões espalhados. No Brasil, cerca de 5 milhões.

Então, se pegarmos as 400 corporações do pós-porteira das fazendas, elas
impactam mais de 70% de todo agronegócio. E se falarmos das outras cem maiores corporações do antes da porteira, elas definem praticamente toda ciência e tecnologia a ser usada na origem de tudo.

Então, 500 corporações definem os elos do antes e do pós-porteira. E do lado de dentro, são 5 milhões. Logo, a relação é de 5 milhões de produtores com 500 empresas de ciência, tecnologia, trading, industrialização, varejo, bancos e distribuição.

Por isso, sabendo que agronegócio exige administração desses elos, aquilo que mais toca o coração e as mentes dos consumidores finais dos produtos do agro são as famílias agrícolas. Sim. As famílias. Casais, com filhos e filhas, e colaboradores mulheres, homens, jovens. Desta forma é muito inteligente que o setor utilize na sua comunicação o poder da família agrícola. E no Brasil, o único país do mundo que tem nome de árvore, a árvore precisa estar em tudo.

São famílias agrícolas com a agricultura de baixo carbono, com integração
lavoura, pecuária e floresta, e com atividades da madeira totalmente sustentável, o melhor símbolo que o país pode usar para iniciarmos algo inteligente no diálogo com as sociedades do mundo.


Hora do agronegócio com comunicação de gente inteligente. Famílias agrícolas produzindo alimentos com árvores preservadas lado a lado com suas associações, entidades sensatas e fortalecidas. Importante o bom diálogo. O que o mundo precisa saber do Brasil está aí. E para isso, basta seguir a tecnologia, a lei e comunicar.

*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da FECAP; membro do Conselho da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e sócio-diretor da Biomarketing