11 líderes do agronegócio brasileiro recebem Biden com a voz da “boa esperança”

9 de novembro de 2020 6 mins. de leitura
Tejon ouviu importantes líderes do agro nacional após a declaração da vitória do novo presidente dos Estados Unidos

Por José Luiz Tejon Megido*

O rei português dom João II, em 1488, mudou o nome do Cabo das Tormentas, no sul da África, após a descoberta do navegador Bartolomeu Dias do caminho das Índias, para “Cabo da Boa Esperança”. Mudava o mundo com a nova rota do comércio.

Ouvi 11 grandes líderes do agronegócio sobre a vitória de Joe Biden, do partido Democratas, na maior nação e agro do planeta e suas expectativas com relação ao agronegócio brasileiro. São 11 visões que me fizeram relembrar a mudança do medo das tormentas, para a coragem da esperança. Aqui vão essas 11 sínteses:

Jacyr Costa Filho – presidente do Cosag/Fiesp: “Com a vitória de Joe Biden, veremos uma maior valorização da agenda ambiental e ampliação do uso de biocombustíveis, principalmente do etanol, cujo maior produtor mundial é os Estados Unidos”.

Paulo Hartung – presidente executivo da Indústria Brasileira de Árvores (IBA): “A vitória de Biden, nas eleições americanas, é importante para o povo americano e fundamental para a democracia dos Estados Unidos e, acima de tudo, importante para o mundo; essa decisão fortalece o multilateralismo”.

Márcio Lopes – presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB): “Época de mudanças e transformações, nem melhor nem pior, será diferente. Quem faz negócios é a iniciativa privada, governos fazem política”.

Teresa Vendramini – presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e da Federação das Associações Rurais do Mercosul: “As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos seguirão fortes. A demanda aquecida por alimentos no mundo e a alta competitividade do nosso agro exportador são a garantia de que o futuro segue promissor”.

Alexandre Schenkel – vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa): “Parabéns a Joe Biden. Irá liderar a grande nação que nos ensinou muito e hoje somos irmãs na produção agropecuária. Ajudamos a alimentar, abastecer e vestir o mundo. Seguiremos unidos, com admiração e respeito mútuo”.

Pedro de Camargo Neto – líder e brasileiro membro do Papsac-Harvard, ao lado do prof. Ray Goldberg. “Com certeza deve representar o retorno dos Estados Unidos à OMC e ao acordo de Paris. Dois acordos mundiais que fortalecem o agro do Brasil. Na OMC, é melhor ter regras difíceis do que nenhuma, para onde caminhávamos. E na questão ambiental o Brasil é vencedor, estávamos nos colocando na posição equivocada. O código florestal nos coloca na vanguarda.”

Christian Lohbauer – presidente da Croplife: “A sociedade americana optou por Joe Biden, está clara a vitória. Para o agro brasileiro poderemos alinhar nossa visão de mundo com a energia mais limpa, o perfil dos democratas, e mais distante da indústria do petróleo. E também a reaproximação com a OMC é importante para regular os contenciosos no comércio internacional. Biden trará de volta esses temas e isso é positivo para o Brasil”.

Roberto Rodrigues – ex ministro: “Biden dará muita atenção ao acordo de Paris e a prestigiar a OMC e talvez retome negociações com a China. Tudo isso pode ter reflexos para o agro brasileiro, para o bem ou para o mal, vamos ver“.

Prof. dr. Cláudio Pinheiro Machado – coordenador do Pensa/FIA/USP: “A vitória de Biden pode nos levar a uma distensão das relações internacionais, propiciando um ambiente mais favorável às relações comerciais multilaterais. Será fundamental para o Brasil implementar ações coordenadas dos setores produtivos e governamentais para se ajustar a esse contexto. Precisamos reconquistar a reputação digna de um agronegócio que concilia alta eficiência produtiva, qualidade e aderência às melhores práticas ambientais”.

Evandro Gussi – presidente da Única: “Esperamos que a vitória de Joe Biden leve os Estados Unidos a uma posição inteligente na utilização de biocombustíveis para a redução de emissões de CO2 na matriz do transporte global”.

Marcello Brito – presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag): “Isso não é vitória de um partido contra o outro, de um candidato. É a vitória do bom senso, do equilíbrio e do multilateralismo contra o ódio, a mentira, a misoginia, o racismo, os recursos baixos e a falta de respeito ao próximo. É a vitória do processo civilizatório”.

Essas 11 visões desses 11 líderes do agronegócio serão ainda complementados com a de outros durante esta semana, repercutindo a vitória de Joe Biden. nos Estados Unidos, que além de cliente é também do Brasil o maior concorrente no agronegócio. Na balança de negócios com os Estados Unidos, em 2019, importamos mais do que exportamos. Portanto, temos muito a fazer no campo do bom comércio.

E ainda ouvindo o economista do ano, Paulo Rabello de Castro, sobre a questão, ficamos com esta importante assertiva dele: “O Itamaraty ganha, em tese, uma chance de se recompor e, assim, melhorar a péssima imagem do país. Joe Biden sempre foi um negociador político ao longo de sua longa carreira. Não vai embarcar no padrão persecutório do futuro ex-presidente Trump. Vamos ver o que o presidente Bolsonaro fará com isso”

Sem dúvida, temos no Itamaraty, na Apex e no Map, excelentes quadros de brasileiros muito bem preparados que sabem o que precisa ser feito e como deve ser feito em todas as regiões do planeta onde estamos representados para uma nova diplomacia comercial.

Começamos com a sabedoria de dom João II mudando das “tormentas para a boa esperança“, então fechamos com o poeta português Camões, que escreveu: “Quem faz o comércio, não faz a guerra”.

Hora dos “realistas esperançosos” no Brasil e no mundo, como também registrou Ariano Suassuna. A voz da boa esperança, a reconciliação da sensatez pelo que vale a pena lutar.

*José Luiz Tejon Megido é doutor em Educação, mestre em Arte, Cultura e Educação pela Universidade Mackenzie; professor de MBA na Audencia Business School, em Nantes, na França; coordenador do Agribusiness Center da FECAP; membro do Conselho da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, e sócio-diretor da Biomarketing