Verruga bovina: enfermidade compromete saúde e valor do gado

9 de março de 2020 4 mins. de leitura
As verrugas são uma doença infectocontagiosa e podem se espalhar de uma vaca para outra em curto prazo

Também conhecida como verruga, figueira ou verrucose, a papilomatose bovina é uma doença que vem dando dor de cabeça para os produtores de gado. As verrugas são lesões tumorais benignas no tecido epitelial, geralmente encontradas na região do pescoço, da cabeça, ao redor dos olhos e nos tetos. Caracterizadas por nódulos na pele, podem variar de tamanho e ter coloração que vai do branco acinzentado ao preto.

A doença infectocontagiosa e de origem viral costuma aparecer em rebanhos agrupados em confinamento e se torna uma dificultadora da prática agropecuária por causar diversos tipos de prejuízo para os criatórios de gado. Além da estética desagradável evidente, a produtividade do animal pode ser afetada. Entre os possíveis efeitos da papilomatose cutânea estão desvalorização do couro do animal, desenvolvimento retardado, cegueira e depreciação da vaca no mercado.

Dependendo da localização das figueiras, podem ainda causar problemas de fertilidade e dificuldades na ordenha. Por causar feridas na pele, a papilomatose abre espaço para infecções secundárias e casos de miíase, quando ocorre infestação de larvas nas cavidades. Apesar de ser uma doença que acomete animais jovens com mais facilidade, os adultos não estão livres de risco. Entre as raças de gado, a holandesa tem a maior predisposição para a aparição de verrugas.

Transmissão e tratamento da verruga

(Fonte: Unsplash)

A papilomatose cutânea tende a acontecer em animais com deficiência nutricional ou alguma carência mineral em duas situações: o sistema imunológico das vacas pode não ter força suficiente para combater a enfermidade ou pode simplesmente não perceber a presença do vírus no organismo. Portanto, é necessário que o produtor de gado tenha todo tipo de atenção para evitar a contaminação do animal e a difusão do vírus para o resto do rebanho.

A verruga pode ser transmitida diretamente de animal para animal ou através de moscas, carrapatos, equipamentos de ordenha ou de marcação dos bovinos. Porém, a transmissão só acontece caso o animal afetado tenha uma lesão na pele por onde o vírus possa entrar no organismo. As causas mais comuns para lesões cutâneas nas vacas são pequenos traumas, parasitas e feridas decorrentes da incidência de raios ultravioleta.

O tratamento das verrugas é um assunto delicado por não existir uma ação preventiva para a contaminação, apenas curativa. A papilomatose é uma doença autolimitante, por isso costuma aparecer em pequenas quantidades em um único animal e ser tratada pelo próprio sistema imunológico. Nas situações em que corpo da vaca não elimina o vírus do organismo, o veterinário deve ser capaz de identificar qual é o tipo do papilomavírus e recomendar tratamentos alternativos. Os mais comuns são intervenções cirúrgicas em casos com poucas verrugas e tratamentos químico-corrosivos como a cauterização com nitrato de prata.

Precauções a serem tomadas

(Fonte: Pixabay)

Por ser uma doença autolimitante, como citado, os tratamentos efetivos em determinados animais podem não surtir nenhum efeito em outros. Portanto, para impedir que o vírus seja transmitido para outras vacas do rebanho, é preciso que os pecuaristas tenham cautela em algumas situações. A primeira etapa é evitar a aquisição de animais que apresentem qualquer tipo de papiloma. Depois, é necessário fazer um controle efetivo das moscas nos ambientes em que o gado permanece, visto que elas são uma das principais transmissoras da enfermidade.

Além disso, os instrumentos de manejo dos animais devem ser esterilizados e passar por um processo de desinfecção antes de entrarem em contato com a pele. Como o período de incubação do vírus dura, em média, entre dois meses e seis meses, a parte do gado contaminada deve ser permanecer isolada dos demais até o fim do tratamento da enfermidade. Por fim, as fêmeas em fase de lactação com verruga na região dos tetos devem ser ordenhadas por último e com auxílio de antissépticos para evitar possíveis riscos.

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Fontes: Milk Point; Sociedade Brasileira de dermatologia; Grupo Cultivar

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