Inoculantes: o que são e qual é a utilidade na agricultura

14 de novembro de 2019 4 mins. de leitura
Entenda a aplicação de inoculantes no processo de fixação biológica de nitrogênio para o desenvolvimento das sementes

Inoculante é um insumo biológico com microrganismos capazes de desempenhar atividades benéficas e necessárias para o desenvolvimento das plantas. Contém bactérias que são responsáveis pela formação de nódulos nas raízes das plantas e é desenvolvido e produzido em conformidade com protocolos estipulados pela Rede de Laboratórios para a Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare).

Assim como quaisquer outras formulações, precisam ter eficiência agronômica comprovada, em concordância com as normas oficiais da Relare, sendo aprovadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O inoculante pode ser encontrado em empresas credenciadas pelo Mapa, em instituições de pesquisa estaduais e na Embrapa Agrobiologia.

São produtos baratos, oferecidos em forma líquida, gel, turfosos e até novas formulações. O inoculante em sua fórmula líquida pode ser aplicado via semente e via sulco de semeadura; já o inoculante à base de turfa pode ser aplicado somente via semente. Para isso, o agricultor deve seguir rigorosamente as orientações descritas pelos fabricantes na embalagem do produto.

(Fonte: Shutterstock)

Para obter melhor aderência do inoculante turfoso, por exemplo, o recomendado é que as sementes sejam umedecidas com água açucarada a 10%. Em termos de medidas, considera-se que cada 30 gramas de açúcar em 300 mililitros de água seja a quantidade suficiente para a inoculação de 50 quilos de sementes. O inoculante precisa ser uniformemente espalhado pela superfície da semente para que se obtenha o benefício máximo da fixação biológica do nitrogênio em todas as plantas.

Quanto ao procedimento, a inoculação precisa ser feita em local protegido do sol, com a semeadura logo após a inoculação, principalmente se a semente for tratada com fungicidas e micronutrientes, sempre mantendo-a à sombra, longe de calor excessivo. Essa prática é imprescindível para o fornecimento do nitrogênio de que a semente necessita. Ao ser inserida, a bactéria inoculada infecta as raízes, formando os nódulos, e em seu interior ocorre o processo de Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), que pode, conforme sua eficiência, fornecer todo o nitrogênio necessário.

A recomendação é que a dose seja baseada na quantidade mínima de inoculante colocada na semente após o tratamento (600 mil células para cada semente). Há indicação de benefícios crescentes à nodulação e também à fixação biológica do nitrogênio pela utilização de concentrações de até 1,2 milhão de células bacterianas por semente. A base do cálculo é a concentração registrada no Mapa, e os fabricantes consideram que uma dose (250 gramas) de inoculante turfoso para cada 50 quilos de sementes é suficiente para uma área plantada de 1 hectare.

(Fonte: Pixabay)

É muito importante que não sejam utilizados inoculantes sem registro no Mapa, que não foram transportados e armazenados em locais frescos, que não estejam dentro do prazo de validade e que não apresentem população superior a 1×108 células por grama/mililitro do produto. Também é fundamental que a inoculação das sementes seja feita seguindo todas as orientações técnicas do fabricante, para que seja alcançada a máxima aderência e distribuição uniforme do produto.

O uso de inoculantes resulta em uma considerável melhoria na resistência aos estresses ambientais e maior eficiência na absorção de água e de outros nutrientes. Quase todo o nitrogênio consumido pela planta é fornecido a um baixíssimo custo por meio de uma prática ambientalmente correta que consequentemente resulta em uma agricultura mais sustentável tanto econômica quanto ambientalmente.

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Fonte: Embrapa.

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