Como prevenir a pulorose aviária

13 de março de 2020 5 mins. de leitura
A doença bacteriana não tem tratamento e causa a morte de aves

A pulorose aviária é uma doença infecciosa causada pela bactéria Salmonella pullorum, que afeta principalmente filhotes e aves jovens, mas também pode impactar galinhas mais velhas, aves de caça, pintadas, avestruzes, papagaios, pavões, pombas, pardais e perus. A principal característica da doença é a mortalidade muito alta. Os animais afetados se amontoam perto de uma fonte de calor, ficam anoréxicos, fracos, deprimidos, evacuam material branco e podem desenvolver doenças respiratórias, cegueira ou articulações inchadas.

A Instrução Normativa/DAS n. 3, de 9 de janeiro de 2002, do Ministério da Saúde determina que toda granja reprodutora deve ser sorológica e bacteriologicamente monitorada para detecção da doença. A sorologia é um exame de laboratório efetuado para comprovar a presença de anticorpos no sangue e é utilizada como uma ferramenta de prevenção, mas, devido ao potencial de resultados falso negativos ou falso positivos, o indicado é que quando haja suspeita da doença o animal seja isolado. O objetivo do controle da pulorose é a eliminação do patógeno, pois o tratamento não é recomendado.

A transmissão pode ser vertical (transovariana, processo da bactéria para os ovos) ou por contato direto ou indireto com aves infectadas (vias respiratória ou fecal), ração, água ou lixo contaminados. A infecção transmitida pelos ovos ou dos locais apropriados para a incubação deles geralmente resulta em morte do recém-nascido durante os primeiros dias de vida, entre a segunda e a terceira semanas.

Sintomas

(Fonte: Freepik)

A doença pode ser vista em todas as faixas etárias, mas aves com menos de quatro semanas de idade são mais comumente afetadas. Os sobreviventes ficam subnutridos, mal emplumados e podem não amadurecer até desenvolverem postura. Outros sinais observados incluem cegueira e inchaço na articulação tibiotársica, no úmero, na radial e articulação ulnar.

Nas aves em crescimento e maduras, os sinais clínicos de pulorose podem não ser aparentes. Sintomas não específicos incluem declínio no consumo de ração e mudança na aparência das penas, que ficam claras e encolhidas. Outros sinais incluem diminuição da produção de ovos, fertilidade, eclodibilidade (processo de abertura natural dos ovos), aumento da temperatura corporal, anorexia, diarreia, depressão, desidratação e perda de peso.

Bandos que experimentaram um surto grave de pulorose têm uma porcentagem maior de transportar o vírus. Após a infecção, a expectativa de vida da ave é de cinco dias a dez dias.

Como se prevenir da pulorose aviária

Para a prevenção da doença devem ser adotadas ações de limpeza e desinfecção dos galinheiros para manter o controle de insetos, roedores e pássaros, bem como medidas simples de manejo sanitário. Existem sete áreas que requerem atenção especial para reduzir a contaminação bacteriana e prevenir o surgimento da pulorose aviária.

1. Limpeza e higiene

A contaminação residual de bandos anteriores é um motivo comum para aves positivas para pulorose. A limpeza dos locais de crescimento das aves pode reduzir significativamente a prevalência de Salmonella na produção. Biossegurança eficaz e controle de pragas também são essenciais para evitar a contaminação.

2. Alimentação

Grãos e ingredientes de ração contaminados podem aumentar o risco de pulorose aviária. Usar alimentação peletizada a quente e com rigorosos padrões de qualidade é uma forma de prevenção.

3. Gerenciamento de água

O manejo da água é uma parte crucial de qualquer programa de controle de pulorose em aves, já que a água pode servir como meio de propagação da doença. Água clorada e uso de ácidos orgânicos reduzem os níveis de Salmonella.

4. Poeira

O pó também pode ser um meio para a propagação da Salmonella. Um sistema que mantém os níveis de poeira abaixo de 3 miligramas por metro cúbico é uma importante ferramenta de prevenção.

5. Gerenciamento de lixo

O lixo gerado pelas aves dentro do galinheiro deve ser retirado com regularidade, com o objetivo de manter roedores e insetos contaminados longe da criação.

6. Gerenciamento da flora intestinal

Manter saudável a flora intestinal dos pintinhos, com o uso de probióticos, ácidos orgânicos, enzimas e tecnologias de levedura, é muito importante para evitar que a Salmonella colonize as aves.

7. Vacinação

(Fonte: Freepik)

O uso de vacinas tem o potencial de reduzir a prevalência de pulorose em granjas. A vacina AviPro Salmonella Duo foi lançada pela Elanco em abril de 2019 e promete uma proteção duradoura das matrizes do primeiro dia de vida até o fim do ciclo de reprodução.

Impacto da doença em humanos

De acordo com o Ministério da Saúde, a ingestão de ovos ou carne de aves contaminadas pode causar dois tipos de doenças nos humanos: salmonelose não tifoide e febre tifoide.

A salmonelose não tifoide é a menos grave e não causa muitas complicações em pessoas saudáveis, mas pode causar a morte de quem estiver com a saúde fragilizada. Seus sintomas são vômito, dores abdominais, febre e diarreia, que geralmente duram alguns dias e diminuem em  uma semana.

Já a febre tifoide é uma doença grave e com alta taxa de mortalidade, que se desenvolve no intestino e no sangue. Os sintomas são febre alta (de 39 °C a 40 °C), dor de cabeça, mal-estar, náuseas, vômitos, tosse, dor de barriga, diarreia e manchas avermelhadas na pele.

Conheça o maior e mais relevante evento de agronegócio do Brasil

Fontes: Inspection, Ministério da Saúde, Inata

Canal Agro