Peste suína: o que é e qual é o seu impacto na economia?

Conheça a doença altamente contagiosa, mortal e que ameaça o comércio de carne suína em países asiáticos

Peste suína: o que é e qual é o seu impacto na economia?
05/12/2019 • 3 min. de leitura

A peste suína, também conhecida como febre suína, é uma doença que atinge tanto os suínos domésticos quanto os selvagens — como é o caso dos javalis —, tem alto potencial contagioso e requer diversos cuidados entre os criadores de porcos. Na natureza, essa praga é encontrada em duas versões: a peste suína clássica (PSC) e a peste suína africana (PSA).

Enquanto a primeira é um vírus RNA da família Flaviridae, a segunda é composta por um vírus de DNA fita dupla, pertencente à família Asfarviridae. Ambas contêm aspectos clínicos-patológicos semelhantes e não correm o risco de contaminar humanos, mas demandam diagnóstico laboratorial para diferenciação e combate adequado.

A PSA teve origem no continente africano, como o nome indica, no início do século 20. Afetando as regiões leste e sul da África, a doença atingiu a população de suínos domésticos do Quênia em 1920, onde depois se espalharia para a maioria dos países na África Subsaariana. Transmitida através do contato direto entre suínos infectados e do consumo de produtos contaminados, a peste suína chegou até a Europa por meio de alimentos infectados que foram levados até o local por aeronaves.

Depois de aterrissar em território português em 1957, a doença se restringiu à população suína de Portugal e Espanha até 1990, quando se disseminou para diversos outros países do Velho Continente — como Itália, França, Bélgica e Holanda — e, posteriormente, também para a América do Sul e o Caribe.

O Brasil, que adota um controle rígido para combater a PSC no país, teve o primeiro caso de PSA identificado em 1978 no município de Paracambi, no Rio de Janeiro. O vírus foi encontrado em suínos alimentados com restos de comida infectados, que vieram em voos de Portugal.

Apesar de a doença já ter sido erradicada no país desde 1984, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) intensificou a vigilância em relação à peste suína africana, a fim de manter o território livre desse risco.

Os sintomas da peste suína

(Fonte: Pixnio)

Além de ser uma doença extremamente contagiosa, a peste suína africana tem outro agravante: seu potencial mortal. A PSA, em sua versão aguda, pode ocasionar vermelhidão e hemorragia na pele dos suínos, anorexia, apatia, cianose (cor azulada ou acinzentada da pele), falta de coordenação motora entre 24h-48h antes da morte, diarreia, vômito e secreções oculares. Nessa fase, a taxa de mortalidade entre os animais é de praticamente 100%, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Nos casos mais moderados, os sintomas como febre leve, depressão, problemas respiratórios e aborto podem passar despercebidos como PSA e confundidos com outras doenças suínas, consequentemente gerando um grande risco para a disseminação da doença. Os animais que se recuperam de um caso de peste suína se tornam portadores do vírus e, portanto, um fator de risco para que o vírus se espalhe para outros bichos.

O período de incubação da doença é de 4 a 19 dias, e existem técnicas moleculares para o diagnóstico da doença e o início da inativação do vírus, que precisa ser exposto a uma temperatura de 60°C por 30 minutos.

O impacto da PSA na economia mundial

(Fonte: Pixnio/Scott Bauer)

Por ser uma doença com alto índice de contágio e taxas de mortalidade altíssimas, a peste suína vem mexendo com a economia de um grande mercado: a comercialização de produtos com origem suína.

Em uma estimativa feita pela Embrapa, a chegada da PSA aos Estados Unidos poderia acarretar um impacto de US$ 16,5 bilhões em apenas 1 ano de epidemia, enquanto no Brasil o número estaria na casa dos US$ 5,5 bilhões.

Em setembro de 2018, o vírus da PSA foi detectado em suínos de subsistência na China. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) informou em 2019 que, aproximadamente, 6,2 milhões de suínos já foram abatidos em países asiáticos por conta da peste.

Além de ter o maior número de rebanhos, a China é a maior produtora, consumidora e importadora de carne suína no planeta.

O abate dos animais se faz necessário para controlar a velocidade de propagação do vírus, mas isso não é o suficiente. Aliado ao controle rigoroso da chegada de produtos suínos e à difusão de informações sobre a peste suína, o descarte de resíduos de alimentos contaminados precisa ser adequado — incluindo tratamento térmico.

Qualquer caso suspeito deve ser encaminhado ao Serviço Veterinário Oficial Estadual. Atualmente, o Mapa tem um laboratório oficial chamado de Lanagro, em Minas Gerais, com capacidade para diagnóstico da PSA.

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Fontes: Embrapa, FAO, Ministério da Agricultura.