Cultivo das PANCs ganha destaque no Brasil

As plantas alimentícias não convencionais (PANCs) têm se mostrado uma tendência tanto no cultivo quanto na alimentação

Cultivo das PANCs ganha destaque no Brasil
21/02/2020 • 3 min. de leitura

O que antes era visto como “apenas mato” conquistou espaço nas cozinhas e vem se destacando como uma forma de alimento para os brasileiros. As plantas alimentícias não convencionais (PANCs) normalmente têm aparência de ervas daninhas e não comestíveis. Porém, escondem um alto teor de nutrientes e diferem bastante dependendo da região onde são encontradas.

Isso porque as PANCs têm como principal característica estarem relacionadas com o que o ambiente local pode fornecer. Segundo o Guia Prático de Plantas Alimentícias Não Convencionais, o “termo PANC depende, contudo, de com quem você está dialogando e se essa planta é ou não convencional para ela. Plantas amazônicas serão não convencionais para um paulista e convencionais para um morador de Belém ou Manaus”. A ora-pro-nóbis já é vista como um alimento em Minas Gerais, por exemplo, mas em outras regiões ainda se encaixa como uma PANC.

O interesse, porém, não é importar uma planta de outra região, mas sim maximizar aquilo que pode ser fornecido pelo local. Elas têm capacidade de diminuir os custos mensais da alimentação familiar e podem ser encontradas em quintais, canteiros e terrenos baldios, e também fazer parte da alimentação diária.

Cultivo das PANCs

As plantas alimentícias não convencionais auxiliam no aproveitamento de áreas antes improdutivas para o cultivo, pois podem “ocupar espaços onde há pouca insolação, cujo solo não seja tão fértil ou úmido ou seco demais para as culturas convencionais”, segundo apresenta o Guia Prático de PANC.

Visto que cada PANC possui uma exigência sazonal diferente e muitas delas são extremamente resistentes, a oferta de alimentos é maior durante o ano, mesmo em regiões afetadas por fortes chuvas, ondas de calor ou grandes períodos frios.

Exemplos de PANCs

Confira exemplos dessas plantas, suas principais características e de que maneira elas costumam ser utilizadas; algumas ainda podem sinalizar as condições do terreno onde está plantada. As definições das plantas têm como fontes o Guia Prático de PANC e o caderno Paladar do Estadão.

Ora-pro-nóbis

Famosa em Minas Gerais, a ora-pro-nóbis conta com alto teor de proteínas e de fibras. É utilizada no feijão, na polenta, em refogados e massas, sendo que seus brotos e frutos também são comestíveis. O cultivo pode ser decorativo, por dar um ar rústico ao ambiente quando a planta é colocada em muros e cercas.

(Fonte: Tadeu Brunelli/Estadão)

Beldroega

A beldroega é uma planta azeda e crocante rica em magnésio, cálcio, zinco e proteínas. Seu gosto lembra um pouco o do espinafre, e suas folhas podem ser usadas na salada e cozidas ou refogadas. É nativa, espontânea, resistente e ornamental com suas flores rosadas; além disso, sinaliza que o terreno é fértil, não prejudica as lavouras e protege o solo.

(Fonte: Tadeu Brunelli/Estadão)

Peixinho

Lambari-da-horta e orelha de coelho são outros dos nomes da peixinho, que pode ser empanada e frita para ser servida como petisco, mas também funciona bem para um chá. A partir de suas folhas, que são suculentas e nutritivas, é possível fazer também lasanha, massas e até risoto. Para o cultivo, exige climas secos, com solo fértil e sol.

(Fonte: Tadeu Brunelli/Estadão)

Capuchinha

Tanto as flores coloridas da capuchinha quanto suas folhas e sementes são comestíveis. A planta é rica em vitamina C e em carotenoides (substância precursora da vitamina A) e tem um sabor extremamente picante, assemelhando-se à rúcula e ao agrião. Pode ser utilizada em salada, molho, omelete e pesto. Seu cultivo é simples.

Trevo

Embora seja uma planta extremamente comum em quintais e vasinhos, poucas pessoas sabem que as folhas, os talos e os bulbilhos dessa PANC podem ser comidos. Entretanto, diferente do restante desta lista, não deve ser comida em grande quantidade, pois é rica em ácido oxálico. Ela também sinaliza quando a terra é argilosa, se o pH do solo é baixo e denuncia terrenos com deficiência de cálcio e molibdênio.  

(Fonte: Tadeu Brunelli/Estadão)

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Fontes: Site Mapa, Paladar Estadão, Embrapa, Huffpost, Hypeness