Os agrotóxicos da agricultura moderna e seus impactos no meio ambiente

As novas tecnologias do campo são importantes, mas os riscos dos agrotóxicos para o meio ambiente envolvem drásticas contaminações e afetam a biodiversidade

Os agrotóxicos da agricultura moderna e seus impactos no meio ambiente
20/08/2019 • 3 min. de leitura

O controle de pragas nas culturas remonta à Roma Antiga, quando eram utilizados a queima de enxofre como fungicida e sais no controle de ervas daninhas. Atualmente, cerca de 5 bilhões de quilos de pesticidas são aplicados em todo o mundo por ano. A agricultura moderna gera crescimento econômico, mas é responsável por uma poluição que afeta as pessoas e o meio ambiente, principalmente devido ao uso desenfreado de agrotóxicos.

Especificamente em nosso País, políticas públicas fomentam a utilização e o comércio de pesticidas, influenciadas pela bancada ruralista do Congresso Nacional. O Brasil é um dos principais produtores agrícolas do mundo e o maior consumidor do mercado mundial de pesticidas, com mais de 400 fórmulas aprovadas; quase metade dos químicos liberados em nosso território, no entanto, é proibida em países da União Europeia.

O uso indiscriminado de agrotóxicos pode levar à contaminação da água e do solo e causar efeitos drásticos em espécies não alvo, afetando a biodiversidade, as redes alimentares e os ecossistemas aquáticos e terrestres.

Contaminação de águas

Pesticidas hidrossolúveis podem alcançar águas superficiais, como córregos, rios e lagos, por meio do escoamento dos produtos químicos a partir de plantas tratadas e do solo contaminado. Os agrotóxicos também penetram no solo atingindo aquíferos, e a contaminação subterrânea é um problema crônico, pois, uma vez que a água profunda está poluída, muitos anos são necessários para que as impurezas se dissipem. A limpeza desses corpos d’água pode ser cara e complexa, muitas vezes até impossível.

A poluição hídrica advinda de práticas agrícolas é frequentemente subestimada. Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) publicado em 2018 traz um alerta global acerca da contaminação da água. Segundo a publicação, a agricultura é o maior responsável pelo desperdício de água em volume, além de ter dado origem a ameaças ambientais, incluindo o aumento da poluição dos ecossistemas aquáticos.

Contaminação do solo

Os pesticidas mais presentes na terra são os herbicidas, que ficam retidos em diferentes graus, dependendo das interações entre as propriedades do solo e os agrotóxicos. A característica mais influente é o conteúdo orgânico, e quanto maior é o teor de matéria orgânica, maior é a absorção das substâncias.

O solo contaminado pode afetar as populações de microrganismos benéficos, o que o degrada, pois reduz a produção de nutrientes no ambiente. Algumas plantas, como as leguminosas, dependem de uma variedade de microrganismos do solo para transformar nitrogênio atmosférico em nitratos, e muitos herbicidas interrompem esse processo.

Contaminação por volatilização

Os agrotóxicos em spray podem volatilizar e ser carregados para outras áreas, contaminado o ar, o solo e as plantas longe da área tratada. A perda por volatilização pode atingir até 25%, o que indica que uma elevada porcentagem de produto químico pode se espalhar de alguns metros a várias centenas de quilômetros.

Muitas fórmulas herbicidas volatilizam e geram vapores suficientes para causar danos graves a outras plantas, reduzir severamente a qualidade das sementes e aumentar a suscetibilidade a certas doenças. As plantas também podem sofrer consequências indiretas dos danos dos agrotóxicos aos microrganismos do solo e insetos benéficos.

Impactos em organismos não alvo

Vários organismos podem sentir os efeitos dos agrotóxicos, como insetos benéficos ao solo e à polinização, peixes e outros seres aquáticos, pássaros e espécies selvagens. A água contaminada com pesticidas pode afetar plantas aquáticas, diminuir o oxigênio dissolvido na água e causar danos fisiológicos aos animais. Herbicidas, por exemplo, podem ser tóxicos para os peixes, causar deformidades vertebrais, produzir efeitos subletais, como natação irregular e dificuldade para respirar, reduzindo as chances de sobrevivência.

O acúmulo de pesticidas nas cadeias alimentares é a maior preocupação, pois afeta diretamente os predadores de topo. Vários casos de envenenamento de golfinhos e outros mamíferos aquáticos por pesticidas têm sido relatados em todo o mundo devido ao seu alto nível trófico na cadeia alimentar e acúmulo de concentrações de poluentes orgânicos.

Os efeitos nas plantas aquáticas também podem causar um grande desequilíbrio no ecossistema, uma vez que esses organismos são a base da cadeia alimentar. Estudos em algas e diatomáceas em córregos mostrou que as substâncias químicas tóxicas danificam as células e bloqueiam a fotossíntese.

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Fontes: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).