Summit Agro mostra como as tecnologias estão reinventando a agricultura

13 de dezembro de 2019 6 mins. de leitura
Promovido pelo Estadão, evento em São Paulo discutiu exportações, conectividade, inovação, logística e sustentabilidade

No dia 13 de novembro, o hotel Hilton Morumbi na capital paulista foi palco de mais uma edição do Summit Agronegócio. Promovido pelo Estadão, o evento teve mais de 300 visitantes e reuniu autoridades, especialistas e empresários do setor.

“Sem inovação, sem ciência e tecnologia, não teremos um agro competitivo no Brasil”, destacou o governador de São Paulo, João Doria, no discurso de abertura do encontro, que teve como foco as “Tecnologias para alimentar e preservar o planeta – O agronegócio se reinventa”.

Promovido pelo Estadão, evento discutiu exportações, conectividade, inovação, logística e sustentabilidade

A programação contou com painéis que discutiram temas como exportações e blocos comerciais; conectividade no campo; tecnologia 4.0; sustentabilidade no agronegócio; e os gargalos logísticos. Além disso, no palco Tech, os visitantes puderam conhecer as inovações que estão transformando o campo. Confira os destaques do evento, que dita tendências para o agro nacional.

Mercados futuros: África e Índia

O primeiro painel do Summit teve como mote “Exportações, blocos comerciais e China – O que o mundo precisa e exige do agronegócio”. Os especialistas presentes ressaltaram que a atual guerra comercial entre os Estados Unidos e a China beneficia o Brasil.

No ano passado, o País bateu o recorde nas exportações de soja para o gigante asiático, e este ano está com uma maior demanda de carnes (suína, de aves e bovina), em razão do surto de peste suína africana. Até o fim do ano, a doença deve acarretar uma queda de 25% na produção chinesa de suíno, segundo o Rabobank.


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“Em carnes, eles sempre deram preferência para a autossuficiência, mas vivem uma crise interna. Por isso estão abertos, o que não significa que continuarão abertos”, diz Marcos Jank, professor sênior de agronegócio global do Insper. Atualmente, os mercados asiáticos (China e sudeste da Ásia) e o Oriente Médio representam 56,8% das exportações do agronegócio nacional.

Para o futuro, Jank avalia que o Brasil deve dar mais atenção à África e à Índia, que hoje têm uma parcela de 7% das vendas externas. “Eles têm 3 bilhões de habitantes, que serão 5 bilhões em 2050”, diz.

Como driblar a falta de conectividade

Este foi o assunto principal das discussões do segundo painel do Summit, que teve como tema “Conectividade no campo – Um salto para o tempo real”. Com o avanço tecnológico, hoje boa parte do agro brasileiro é high tech, com máquinas repletas de sensores e sistemas de gestão que demandam troca de dadosem tempo real.

Mas toda essa tecnologia disponível para o produtor rural esbarra na precariedade da internet rural. Para driblar esse gargalo, oito empresas dos setores de agro e telecomunicações lançaram o ConectarAgro, uma iniciativa para promover uma solução tecnológica aberta e estimular a expansão do acesso à internet no campo brasileiro.

“Criamos a solução 4G TIM no campo, que é multiplataforma, funciona na frequência de 700 MHz e atende não só a comunicação entre máquinas, mas entre máquinas e pessoas”, diz Alexandre Dal Forno, head de Produtos Corporativos e IoT da TIM, uma das integrantes do ConectarAgro.

Outro desafio a ser vencido é a dificuldade em obter licença ambiental para a instalação de torres de telefonia nas áreas rurais. Segundo Leonardo Finizola, diretor de Novos Negócios da Nokia, um total de 50 milhões de hectares precisa de conectividade, o que demandaria entre 4 mil e 5 mil licenças ambientais.

Agricultura 4.0 e o incentivo aos drones

A revolução da chamada agricultura 4.0, ou agricultura digital, também foi debatida em um dos painéis do evento. Os palestrantes apontaram que esse arcabouço de sensores, sistemas e equipamentos gera dados que ajudam o produtor a tomar decisões, para garantir melhor rentabilidade ao negócio.

No entanto, os especialistas destacaram a necessidade de políticas públicas. No caso dos drones, eles têm sido aliados do agricultor no mapeamento topográfico das fazendas, bem como na aplicação de defensivos químicos ou controle biológico.

“O problema é que o Brasil ainda não tem regulamentação para esses veículos aéreos não tripulados”, diz Sergio Barbosa, gerente executivo da ESALQTec,incubadora tecnológica da USP Piracicaba.

Lúcio André C. Jorge, pesquisador da Embrapa São Carlos, ressaltou que há muitas tecnologias embarcadas desenvolvidas para drones, mas faltam políticas públicas e financiamento. “Principalmente para transferir, transformar a inovação em produto”, explica Jorge.

Produção cada vez mais sustentável

“Além de pop, tech e sustentável” foi o tema de outro painel do Summit 2019. Os palestrantes destacaram o papel do Brasil como celeiro do mundo, lembrando que os produtores nacionais adotam boas práticas agrícolas.

Aliado à utilização de tecnologias que facilitam o uso racional de insumos, isso tem levado o País ater uma produção cada dia mais sustentável. “O Brasil é reconhecido como produtor de alimentos. Prova disso é que mais de 160 países compram os produtos brasileiros”, diz Eduardo Leduc, presidente do Conselho Diretor da Croplife Brasil.

“O nosso agro é eficiente, focado em boas práticas, mas temos dificuldade de mostrar lá fora a sustentabilidade de nosso país”, diz Andrea Cordeiro, diretora comercial da Labhoro

No entanto, segundo Arnelo Nedel, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), os agricultores, cooperativas e associações do agro falham em comunicar à população o trabalho que fazem para produzir mais sem aumentar a área. “Éramos muito passivos; chegou a hora de comunicar o que o setor faz”, diz Nedel.

A necessidade de melhorar a comunicação, o diálogo com a sociedade e com os compradores externos foi consenso entre os palestrantes. Para Rodrigo Spuri, coordenador da Cadeia Soja na The Nature Conservancy (TNC), o governo também precisa transmitir as informações relacionadas ao agro em uma “linguagem mais acessível, menos técnica”.

Por Lívia Andrade

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