Produtos lácteos: queijo e leite condensado abrem mercado externo para indústrias brasileiras

11 de novembro de 2019 3 mins. de leitura
Os laticínios nacionais vêm conquistando cada vez mais espaço, e a recente abertura dos mercados chinês e egípcio é uma excelente oportunidade para ampliar as vendas

Em setembro passado, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve em missões técnicas na Ásia e no Oriente Médio e conseguiu abrir os mercados chinês e egípcio para os produtos lácteos nacionais. A notícia foi comemorada pelo setor leiteiro, atividade presente em 98% dos municípios brasileiros.

A produção nacional de leite aumentou, de acordo com a última pesquisa pecuária municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicada em setembro deste ano. Pela primeira vez, ultrapassou 2 mil litros por animal/ano. Isso indica que o Brasil logo terá uma produção maior que a demanda – hoje ainda importa 5% do que consome – e precisará de outros mercados para escoar seus produtos.

Por isso, a abertura de mercados é essencial. O movimento para aumentar as exportações de lácteos do país foi iniciado há alguns anos por um grupo de 20 empresas em parceria com a Agência Brasileira de Promoção às Exportações e Investimentos (Apex). A meta era atacar o segmento de leite em pó, mas logo o grupo percebeu que a melhor estratégia seria focar em produtos de maior valor agregado: queijos, leite condensado e creme de leite.


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O planejamento deu certo. De 2016 para 2018, as exportações de queijo do Brasil cresceram 35,6%. Há três anos, o país exportava para 15 países, hoje vende para 50. E, com a abertura do mercado chinês, as oportunidades aumentam. “Eles importam 110 mil toneladas de queijo anualmente.E, diferentemente do mercado de leite em pó, suas compras de queijo não estão concentradas em um único país”, diz Marcelo Martins, diretor-executivo da Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos).

No segmento de leite em pó, o país ainda não tem condições de competir por praticar um preço 20% superior ao do mercado internacional. “Isso por causa do custo Brasil. Temos questões trabalhistas, tributárias, problemas estruturais, como energia elétrica ruim e má conservação das estradas”, afirma Geraldo Borges, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite). Por conta disso, o país perde a oportunidade de explorar mercados como o da China, que importa anualmente 800 mil toneladas da Nova Zelândia.

Por Lívia Andrade

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