Vinhos de qualidade atraem turismo na Serra Catarinense

26 de junho de 2019 5 mins. de leitura
A região vem se destacando como um novo polo de enoturismo, com pousadas de charme, vinhos finos de altitude e mesa farta
Na vinícola Leone di Venezia, é possível agendar um piquenique

Santa Catarina está entre o terceiro e quarto maior produtor de uvas do Brasil e vem ganhando espaço no turismo voltado aos vinhos por suas vinícolas-butique – conceito que designa empreendimentos elegantes (pequenos ou médios) voltados à produção de vinhos de qualidade – e pousadas de charme.

A maioria das vinícolas do estado surgiu da paixão de empresários bem-sucedidos em outras áreas. Esses homens de negócios, em determinado momento da vida, resolveram viajar o mundo, conhecer as melhores regiões produtoras de vinho e escolher a dedo uma localidade no Brasil para construir sua própria vinícola.

A cidade de São Joaquim, em Santa Catarina, foi a aposta de muitos desses entusiastas. Conhecida pelas temperaturas negativas e por ser um dos poucos lugares do Brasil onde é possível ver neve, o município está situado acima de 1.300 metros de altitude e reúne um conjunto de características, como solo pobre e amplitude térmica, que favorece a produção de vinhos de qualidade com potencial de guarda.

Não por acaso, ela integra o rol de cidades – acima de 900 metros de altitude – que está reunindo a documentação para pleitear do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) a Indicação Geográfica (IG) dos vinhos finos de altitude da Serra Catarinense.

Na vanguarda do enoturismo em Santa Catarina

A IG chancela que o território tem notoriedade na produção de determinado produto por características ambientais do local. Manoel Dilor Freitas, empresário do ramo da cerâmica, foi o pioneiro na região. Ele foi o idealizador da Villa Francioni, vinícola catarinense que está na vanguarda do enoturismo no estado.

Freitas faleceu antes de ver seu sonho realizado, mas seus filhos – Daniela, Adriana e André – hoje tocam o empreendimento, que é referência na região. A vinícola tem seis andares, para que a vinificação aconteça por gravidade, e janelas de vidro, que permitem ao turista apreciar a paisagem da região, repleta de vinhedos, araucárias e lavandas.

Região reúne conjunto de características que favorece a produção de vinhos com potencial de guarda

Aberta à visitação durante todo o ano, a Villa Francioni oferece diversos tipos de tour e degustação. No rol de produtos, há 17 vinhos, com destaque para os tintos. “São Joaquim é a cidade mais fria do Brasil, por isso as videiras têm um ciclo mais longo, as uvas amadurecem numa época do ano com pouca chuva, o que propicia uma maturação completa e resulta em vinhos mais complexos, intensos, que mantêm uma certa acidez”, diz Nei Geraldo Rasera, enólogo da Villa Francioni.

Também em São Joaquim fica a vinícola Leone di Venezia. Como o próprio nome sugere, o empreendimento é todo inspirado na região do Vêneto, na Itália, de onde veio a família de Saul Bianco, engenheiro agrônomo e proprietário da vinícola. Depois de trabalhar 32 anos numa multinacional, Bianco se aposentou e construiu a Leone, que tem como slogan produzir “vinhos no estilo italiano no terroir de altitude”.

Todas as parreiras são de uvas italianas, com destaque para a sangiovese, que se adaptou muito bem à região. Para os turistas, há opções para todos os gostos. Desde uma visita guiada pela vinícola, seguida de degustação de seis rótulos acompanhada por brusquetas, no valor de R$ 45 por pessoa, até um piquenique no vinhedo com seleção de frios, pães, antepastos e vinho por R$ 115.

Bike tour pelos vinhedos

Aos adeptos de práticas esportivas, a vinícola Villaggio Bassetti – também em São Joaquim – tem parceria com a agência de viagens Na Trilha Certa, que oferece passeio de bike pelos vinhedos. “O turista não precisa se preocupar: levamos as bikes, os capacetes; é só agendar previamente”, diz Eduardo Sobânia, turismólogo da agência.

A pedalada custa R$ 150 por pessoa e inclui uma parada nos vinhedos para um brinde com um vinho rosé, visita à vinícola e degustação na loja da Villaggio, que tem comodiferencial produzir vinhos naturais.

“São vinhos elaborados por fermentação espontânea, sem a adição de leveduras”, explica José Eduardo Pioli Bassetti, proprietário da vinícola.

Já para aqueles que querem uma imersão, dormir e acordar numa propriedade voltada à vitivinicultura, a vinícola Thera, em Bom Retiro, é uma ótima opção. Idealizada pelo casal Linda e João Paulo Freitas, o empreendimento vem sendo construído em cima de três pilares: natureza, arte e vinho.

O espaço possui uma pousada de charme com oito suítes, com diárias para duas pessoas, que variam de R$ 490 a R$ 540 com café da manhã. Nos fins de semana, a vinícola abre o Thera Wine Bar, com cardápio elaborado pelo chef Fernando Giusti, que utiliza produtos regionais, como trutas e cordeiros.

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