Piscicultura: setor tem potencial para triplicar a produção

27 de março de 2019 3 mins. de leitura
Avanço depende da liberação do Governo Federal para empresários produzirem peixes em águas da União; alguns pedidos tramitam há mais de dez anos
Tilápia é o peixe mais cultivado no Brasil; a produção nacional registrou uma alta de 11,9% em 2018
Mesmo com a crise econômica, a produção de peixes no Brasil cresceu 4,5% em 2018, totalizando 722 mil toneladas e uma movimentação financeira de R$ 5,6 bilhões. Os dados estão no Anuário da Piscicultura lançado no mês passado pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe Br), associação do setor. Entre os peixes exóticos, o carro-chefe da produção nacional é a tilápia, que registrou um incremento de 11,9%, saindo de 357,6 mil toneladas em 2017 para 400 mil no ano passado. Já entre os peixes nativos, o destaque é o tambaqui. Mas problemas sanitários causaram uma queda de 4,7% na produção desta espécie: de 302,2 mil toneladas em 2017 para 287,9 mil toneladas em 2018. De qualquer forma, o cenário para produção de peixes no Brasil é bastante promissor. “As perspectivas são as melhores possíveis. Somente para a produção em águas da União [lagos de hidrelétricas], hoje temos pedidos para liberação de produção de 3 milhões de toneladas”, diz Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe Br. O Brasil tem potencial para triplicar a produção anual; o problema é a demora governamental em analisar os pedidos. Segundo Medeiros, “algumas dessas solicitações estão tramitando há dez anos”. Hoje, quase a totalidade da criação de peixes nacionais fica no mercado interno. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apenas 32,4 mil toneladas de pescados foram exportadas em 2018. “A tilápia é o peixe mais cultivado do mundo e comercializado em 170 países. É uma commodity internacional, e nossas exportações são traços”, diz o presidente da Peixe Br. “Para se ter uma ideia, o terceiro maior exportador de tilápia do mundo é o Egito, que praticamente só tem o rio Nilo e produz duas vezes mais que nós. Eles são um grande player internacional de exportação sem produzir a ração do peixe. Eles importam o milho e a soja para produzir a ração”, explica Medeiro. FUTURO O setor elenca dois pontos como desafios para 2019. O primeiro é o aumento do consumo per capita de peixe. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro come 9,5 quilos de peixe por ano, sendo que a recomendação da Organização da Nações Unidas para a Agricultura (FAO) é de 12 quilos de pescados por habitante/ano, e a média mundial de consumo está na casa de 20 quilos por pessoa/ano. Neste sentido, Jorge Seif Júnior, que está à frente da Secretaria Nacional de Pesca e Aquicultura do Ministério da Agricultura e estava na reunião de lançamento do Anuário da Piscicultura, ressaltou que a pasta está trabalhando para “incluir o pescado duas vezes por semana na merenda escolar”. Ele também afirmou que as mídias sociais serão usadas para fomentar o consumo por meio da divulgação das características positivas do produto, como “proteína magra e rico em ômega 3”. O segundo aspecto se refere à abertura de novas frentes de comercialização. “Este ano participaremos de várias feiras e missões, com o intuito de levar nosso produto ao mercado internacional”, diz o presidente da Peixe Br. Em termos de expectativa, o setor prevê para este ano um crescimento de 10% na produção de peixe como um todo no País e um incremento de 15% no cultivo de tilápia.
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