Grão especial faz com que o café renasça em São Paulo

1 de outubro de 2018 2 mins. de leitura
Com novas técnicas de produção, cafés de fazendas paulistas agradam a paladares refinados e chegam a valer o dobro do preço do grão comum
O cenário das lavouras de café do interior paulista está passando por uma transformação graças à migração de parte das fazendas do Estado para os cafés especiais, que se destacam em testes internacionais de sabor e aroma. Em todo o País, a produção de cafés para paladares mais refinados teve expansão média de 15% nos últimos anos, para um total de 8,5 milhões de sacas em 2017, segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (que se identifica pela sigla em inglês, BSCA). Esse movimento, segundo fontes do setor cafeeiro, está sendo puxado por São Paulo, onde a estimativa é de um crescimento anual desse segmento da ordem de 20% Um dos fatores que levam os cafeicultores paulistas a investir em grãos especiais é o preço. Enquanto a saca do café “commodity” hoje vive um momento de baixa e sai por cerca de R$ 400, os grãos especiais chegam a valer o dobro. “Temos contratos fechados há três anos com clientes dos Estados Unidos”, diz o produtor Mariano Martins, da Fazenda Santa Margarida, em São Manoel (SP). “Em função da alta do dólar, eles nos garantem hoje R$ 800 por saca.” O cafeicultor diz que a diferença de 100% não é regra. O “ágio” fica, em média, ao redor de 30%. Trocar de variedade por causa da variação de curto prazo da cotação, segundo Martins, é um risco. Ele alerta que a mudança exige investimentos na lavoura e que, para ser considerado especial, o café precisa receber 80 pontos ou mais em análises sensoriais independentes. Alguns dados, porém, evidenciam que a busca pela qualidade é tendência: a receita com exportações do produto de primeira linha atingiu US$ 2 bilhões em 2017, uma alta de 600% em cinco anos, segundo a BSCA. O que fica no Brasil também tem boa demanda: o consumo interno de cafés especiais movimenta R$ 1,7 bilhão. Clique aqui e confira a matéria na íntegra.
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