Fruticultura quer ampliar mercado

28 de novembro de 2018 4 mins. de leitura
Expectativa é que o plano nacional de desenvolvimento do setor ajude a aumentar o consumo doméstico de frutas, resolva barreiras internas e abra novos caminhos para a exportação
Brasil quer ser não só um dos maiores produtores de fruta, mas também estar entre os países que lideram as exportações
O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas do mundo, atrás apenas da China e da Índia e à frente dos EUA. Mas, quando o assunto é exportação, o Brasil está na 23ª posição: apenas 3% das frutas nacionais são enviadas ao exterior. Além disso, o consumo per capita do brasileiro é baixo. “São 56 quilos de frutas por ano, enquanto alguns países desenvolvidos ultrapassam 100 quilos. A Alemanha chega a 140 quilos”, diz Luiz Roberto Maldonado Barcelos, presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) e da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Fruticultura. Em termos de área, a fruticultura ocupa um espaço minúsculo: só 2,5 milhões de hectares de um total de 66 milhões de hectares de toda a agricultura nacional. O segmento, porém, é um gigante no quesito postos de trabalho. “Geramos em torno de 5 milhões de empregos, o que significa 25% das vagas ofertadas pelo agronegócio”, afirma Barcelos. No mercado interno, o movimento financeiro do setor nos últimos anos foi em torno de R$ 42 bilhões por ano. Já as exportações, que no ano passado somaram US$ 840 milhões, vêm crescendo entre 12% e 15% nos últimos quatro anos. Neste período o segmento está com subvenção da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex-Brasil) para promover a fruticultura fora do País. “A expectativa este ano é chegar perto de US$ 950 milhões em exportações. O Brasil nunca quebrou a barreira de US$ 1 bilhão. Com certeza, ano que vem vamos superar essa marca”, diz o presidente da Abrafrutas. ILEGALIDADE INVOLUNTÁRIA Para isso o setor conta com o Plano Nacional de Desenvolvimento da Fruticultura (PNDF), assinado em fevereiro por Blairo Maggi, ministro da Agricultura. Trata- se de uma parceria do governo com entidades e setor privado com a finalidade de aumentar a qualidade, a produção, o consumo interno e as exportações de frutas. Existe uma série de metas, mas uma das principais é a abertura de novos mercados. Isso demanda que o Brasil estabeleça protocolos fitossanitários, uma vez que fruta não é um produto industrializado e pode levar pragas para outros países. “Temos poucos mercados para os quais podemos exportar. A Europa é um lugar para onde podemos enviar sem restrição, mas muitos países asiáticos e os EUA impõem barreiras”, diz Barcelos. Outro sério entrave da fruticultura é a questão de defensivos agrícolas. “Por ser uma cultura que ocupa áreas pequenas, as indústrias não têm interesse econômico de fazer o registro dos produtos demandados pelo setor, pois preferem focar nas lavouras maiores: soja, algodão e cana-de-açúcar. Isso coloca o agricultor numa situação de ilegalidade involuntária”, explica o presidente da Abrafrutas. Outro gargalo é a questão da defesa vegetal, os mecanismos e estratégias que o governo precisa adotar para evitar que novas pragas entrem no Brasil. “Temos 8 mil quilômetros de fronteiras, inclusive com alguns países sem nenhum tipo de defesa sanitária, como a Venezuela”, observa. Para Arnaldo Eijsink, CEO do grupo JD – um dos maiores produtores de uva do Brasil, com 900 hectares de parreirais na Bahia e em Pernambuco e uma produção anual de 31,5 toneladas –, abrir mercados é a prioridade. “Esperamos que o novo governo abra as portas da Coreia do Sul e do Vietnã”, comenta. Outra expectativa é o fim da taxa de 14% imposta pela Europa para as frutas dos países do Mercosul. “Se o novo governo sair do Mercosul, como se tem comentado, é possível buscar um acordo direto”, aponta Eijsink. Se isso vier a acontecer, colocará o Brasil em pé de igualdade com concorrentes, como o Chile, por exemplo. O país não integra o bloco e exporta suas frutas para países europeus sem tarifa.
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