Agro continua alavancando a economia

29 de maio de 2019 4 mins. de leitura
Enquanto os demais setores aguardam a Reforma da Previdência, a agropecuária desponta atraindo cada vez mais investimentos
 
A marca alemã Fendt fez sua estreia na Agrishow e lançou sua linha de tratores de alta potência, de 476 a 517 cavalos
No início deste mês, Ribeirão Preto, no interior paulista, foi palco da Agrishow, maior feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, que funciona como um termômetro de como será o ano para o setor. O evento fechou com uma movimentação de R$ 2,9 bilhões em intenção de compra, um resultado 6,4% superior ao do ano passado. Entre os pontos altos da feira, destaca-se a chegada da Fendt, marca alemã de máquinas agrícolas pertencente ao grupo AGCO, que aterrissa no Brasil com foco em maquinários de alta tecnologia para grandes produtores, aqueles empresários rurais mais profissionalizados.
“No nosso plano de expansão, escolhemos o Brasil para entrar na América do Sul por ser o maior e o mais importante mercado da região”, diz o alemão Peter-Josef Paffen, vice-presidente da Fendt.
A marca alemã já está presente na Europa, nos EUA, na Austrália, na África do Sul e na Ásia, e o Brasil será a base da expansão para a América do Sul. A Fendt prepara sua chegada há três anos e investiu R$ 150 milhões. O aporte foi direcionado às unidades fabris do grupo AGCO em Ibirubá e Santa Rosa, cidades do Rio Grande do Sul, e também à primeira loja da Fendt, situada em Sorriso (MT). “A cidade foi escolhida porque queríamos começar pela BR-163, que nos permite atingir outras regiões do Mato Grosso”, diz José Galli, diretor da Fendt para América do Sul. Nos próximos anos, o plano é criar uma rede de concessionárias exclusiva para a marca no Brasil com área de suporte/manutenção, serviços e treinamentos. “A população mundial está crescendo, e queremos prover tecnologias para aumentar a produtividade e alimentar a todos”, diz Paffen. Durante a Agrishow, a Fendt lançou uma linha de tratores de alta potência, que inicialmente será importada da Alemanha. A marca ainda apresentou uma colheitadeira de grãos e uma plantadeira, que também distribui fertilizantes, que estarão à venda a partir do ano que vem. O último produto é o primeiro projeto da AGCO que se torna global a partir do Brasil. A plantadeira tem como diferencial o fato de dobrar em 1,2 minuto, ficando com 4,3 metros de largura, o que facilita o transporte. Outra empresa que está investindo no setor é a Agres, companhia com 15 anos de estrada, voltada à agricultura digital. Ela anunciou um investimento de R$ 12 milhões, em cinco anos, na ClaudIA, uma inteligência artificial (IA) que vai analisar diversas fontes de dados para o produtor fazer uma pulverização e/ou fertilização mais precisa, com menos gastos e mais eficiência. Num primeiro momento, a ClaudIA será focada na pulverização seletiva. “Trata-se de uma análise de dados para evitar a pulverização no campo de forma homogênea, se apenas 30% da área precisa da aplicação do produto”, diz Ezequiel Kwasnicki, chefe de Tecnologia da Agres. A Agrishow tem atraído marcas de automóveis premium, mercado que movimenta entre 55 mil e 60 mil carros por ano. No ano passado, 61% das vendas do segmento foram de veículos SUV, automóveis muito demandados pelo setor agro depois das picapes. Atenta a essa clientela, a Audi – pelo segundo ano consecutivo – marcou presença na feira com sua linha completa de SUVs. “Também trouxemos um veículo esportivo, o RS4, que tem tração nas quatro rodas e é uma linha superadaptada ao produtor rural”, diz Claudio Rawicz, gerente de Comunicação da Audi. A marca não revelou o número de vendas, mas ressaltou que a comercialização superou a do ano passado. Empresas de aviação executiva também têm marcado presença na Agrishow. A TAM Aviação Executiva (AE) é um exemplo. O agro representa um quarto das vendas da empresa e 40% da comercialização de aeronaves a pistão e turbo-hélices. “Neste período de crise econômica, houve anos em que o agro representou 60% das vendas gerais da companhia”, finaliza Leonardo Fiuza, presidente da TAM AE.
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